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ROXOS de Saúde

Aprecie em nossas telas os matizes das antocianinas, que conferem aos vegetais tons que vão do vermelho ao violeta. Elas afastam tumores, doenças vasculares e até o excesso de gordura

por Diogo Sponchiato | Design Thiago Lyra | Fotos Dercílio

O que os olhos vêem nas fotos destas páginas, o corpo inteiro sente. Espalhada pela natureza e, basta querer, também na sua mesa, destaca-se uma tinta, ou melhor, uma classe de compostos arroxeados sem igual. Se as nuances que recobrem as frutas e as hortaliças desta reportagem já chamavam sua atenção, a partir de agora devem resplandecer ainda mais. Afinal, estudos recentes mostram que as antocianinas, esses pigmentos poderosos visíveis na casca, mas encontrados também na polpa de alguns vegetais , são capazes de livrar as nossas células da sombra de diversos problemas.

Essas substâncias protegem as plantas de infecções e outros danos, diz a farmacêutica Neuza Hassimotto, pesquisadora do Laboratório de Química e Bioquímica dos Alimentos da Universidade de São Paulo. E, no nosso organismo, elas realizam a mesma façanha só que de uma maneira diferente.

Se a ciência já se encantava com seu poder de fogo contra os radicais livres, moléculas produzidas pelo próprio corpo cujo excesso está no esboço dos males degenerativos, outra novidade faz o componente saltar aos olhos: ele carregaria uma ação antiobesidade, garantem pesquisadores da Universidade de Chubu, no Japão (veja no quadro as frutas ricas nas benditas antocianinas).

Os japoneses conduziram dois trabalhos sobre os efeitos do pigmento um com células de gordura manipuladas em laboratório e o outro com camundongos. Daí observaram que as antocianinas são capazes de regular o funcionamento dos adipócitos, o nome científico das células gordurosas, sendo uma das chaves para mantê-los mais murchos e diminuir as chances de aparecer a famigerada síndrome metabólica. O time de cientistas verificou que os ratinhos submetidos a uma dieta rica em gordura e antocianinas ganharam poucos quilos comparados aos animais do grupo de controle, aquele sem cardápio gorduroso e sem pigmentos roxos.

As antocianinas podem controlar a expressão das adipocitocinas, moléculas produzidas pelas células de gordura, conta a SAÚDE! o líder da pesquisa Takanori Tsuda. Traduzindo: ao contribuir para que essas substâncias fiquem em equilíbrio no corpo, é possível evitar a sobra de gordura e a resistência à insulina, o mal que deflagra o diabete tipo 2.

Os pigmentos que dominam a paleta de cores de vegetais como os retratados à esquerda pertencem, na realidade, ao grupo dos flavonóides. Mas são bem diferentes de seus parentes entre eles, as isoflavonas da soja e as catequinas do chá porque absorvem a luz solar e a devolvem assim, roxa de tanta saúde.

Como todo membro da família flavonóide, as antocianinas contam com uma turbinada propriedade antioxidante. Para entendê-la, é preciso lembrar, antes de mais nada, que em todo o corpo são formados naturalmente os radicais livres, moléculas instáveis que perambulam pelas células e que, quando nossas defesas baixam a guarda, podem danificá-las. A poluição, a radiação ultravioleta e o cigarro, por exemplo, estimulam sua proliferação, num processo conhecido pelos especialistas como estresse oxidativo.

E aqui entram as substâncias roxas. Elas doam elétrons a esses radicais, estabilizando-os e impedindo que provoquem alterações nas células. Daí pinta sua capacidade de reduzir o risco de um câncer. Os radicais livres se formam também no DNA, conta Neuza Hassimotto. Quando o organismo está em desarranjo, eles podem atingir uma seqüência do código genético que acarretará no nascimento de uma célula pré-cancerosa. Então, ao multiplicar-se, essa unidade modificada lança as sementes para um tumor. Para barrar esse processo, a atividade antioxidante das antocianinas é maior do que a das vitaminas C e E, diz a doutora em ciência dos alimentos Leila Falcão, pesquisadora da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná.

Além disso, os compostos que colorem amoras, uvas e repolhos roxos são capazes de minimizar estragos causados por inflamações. Isso porque inibem enzimas essenciais ao processo inflamatório, afirma Neuza. Ao somar essa ação benévola ao efeito antioxidante, as antocianinas não só retocam nosso corpo como o protegem de doenças cardiovasculares. E, por falar nas encrencas que detonam os vasos sangüíneos, estudos ao menos com ratos – revelam que os pigmentos conseguem dar um basta ao excesso de gorduras no sangue.

Orientei um trabalho que constatou, nos animais que ingeriram antocianinas, uma redução de 48,62% na concentração de colesterol e de 30% na de triglicérides, conta Tânia Toledo de Oliveira, professora da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. O efeito é superior ao de medicamentos. Não à toa, a equipe da pesquisadora já estuda a produção de remédios com base nesses compostos naturais. Aliás, eles ainda impediriam a oxidação do LDL, a molécula que transporta o colesterol para todos os órgãos e, sem ser oxidado, o colesterol que sobra não consegue se fixar nas paredes das artérias, gerando as temidas placas.

O alto consumo de antocianinas, não se esqueça, também está costurado ao chamado paradoxo francês. As taxas de doenças cardiovasculares entre os franceses são baixas, embora eles insistam em saborear um menu gorduroso, lembra a nutricionista Beverly Clevidence, do Serviço de Pesquisa em Agricultura do governo americano. E uma das explicações, sem dúvida, é o fato de beberem rotineiramente vinho tinto, uma bela fonte de antocianinas.

Até a cabeça fica mais preservada quando seu prato conta com tons arroxeados. Ora, as antocianinas, assim como todo o exército de antioxidantes, são caras à prevenção de males como o Alzheimer. Nessa doença, aumenta a quantidade de radicais livres e de uma proteína chamada betaamilóide, relembra Tânia Toledo de Oliveira. Essa tal proteína, ao lado dos capangas radicais, podem degenerar de vez as células nervosas. Mas os pigmentos roxos são capazes como provam alguns experimentos de dificultar esse ataque.

De uma coisa você precisa saber: uma considerável porção das antocianinas que ingerimos não é absorvida pelo corpo. Então, boa parte é desperdiçada? Nada disso. A antocianina que não é assimilada vai fazendo seus benefícios pelo trajeto do aparelho digestivo, protegendo os órgãos por onde passa, da boca ao cólon do intestino, afirma a pesquisadora Beverly Clevidence. A nutricionista americana, aliás, investiga justamente por que alguns grupos de antocianinas são mais bem assimilados pelo nosso corpo do que outros. Em todo caso, os indícios são os seguintes: absorvidos ou não, eles são úteis à beça à saúde.

A grande questão, que carece de uma resposta certeira até o momento, é a quantidade ideal de antocianinas que deve ser consumida no dia-a-dia para alcançar tantos benefícios. Como não existem medidas precisas, os especialistas ainda retêm o pé atrás antes de prescrever uma cota diária. O teor de antocianinas depende da variedade da fruta e até da época da colheita, justifica Neuza Hassimotto. Certa vez, ao calcular a concentração delas em amoras silvestres, percebemos que havia 250 miligramas do pigmento em cada 100 gramas da fruta. No ano seguinte, outra safra, o teor caiu para 150, exemplifica.

Até que os cientistas cheguem à média de antocianinas de cada alimento e ao consenso de quanto deveríamos comer, pregam que o cardápio precisaria ter no mínimo uma porção diária de qualquer fonte. No café-da-manhã, dá para apostar numa torrada coberta com geléia de framboesa ou da brasileiríssima jabuticaba. Se preferir, assegure outra dose do pigmento preparando no almoço uma salada de repolho roxo ou de alface da mesma cor. No tempero, troque a cebola branca pela roxa. E, quando a berinjela entrar em cena, preserve a sua casca, já que é lá que estão as substâncias bem-vindas.

Quem quer investir nas frutas tem um prato cheio de opções para a sobremesa uma porção de morangos ou uvas do tipo Isabel, por exemplo. Sem contar que tanta cor, talvez você nem tenha reparado ainda, mora também em outras seções do supermercado. É que as antocianinas são usadas pela indústria como corantes, fazendo parte da fórmula de guloseimas, sucos em pó e certas gelatinas. Mas aí, em matéria dos benefícios descritos, o ganho é menor.

A melhor forma de consumir as fontes de antocianinas é in natura, enfatiza a engenheira de alimentos Gisele Alves, da Universidade de Taubaté, interior de São Paulo. Tudo o que destrói o tecido do vegetal interfere na quantidade do composto, explica Neuza. Aliás, saiba que na sua cozinha o problema não é tanto conservar a polpa no congelador, mas submeter o alimento ao calor. De qualquer forma, o importante é garantir os toques de roxo e dos tons que ondulam entre o vermelho e o azul em sua dieta. Assim as antocianinas vão ajudar suas células a trabalhar em harmonia, deixando o corpo todo em estado de obra-prima.

AS FRUTAS CAMPEÃS Quanto mais intensa a sua coloração entenda-se quanto mais para o roxo-escuro e o azul ela for , maior a quantidade de antocianinas

1. Mirtilo, ou blueberry
2. Amora
3. Açaí
4. Framboesa
5. Cereja
6. Uvas (mas, nelas, a grande concentração está na casca)
7. Jabuticaba (também na casca)
8. Morango
9. Acerola
10. Ameixa-japonesa (outra que você precisaria engolir com a casca)

RETOQUE O SEU PRATO Nem todos os vegetais famosos pela cor vermelha têm antocianinas. Tomates e beterrabas, por exemplo, devem sua pigmentação a outro tipo de substância. Aqui vão os que são fortes no composto violeta

1. Repolho roxo
2. Alface roxa
3. Milho roxo
4. Cebola roxa
5. Berinjela (a concentração está na casca)
6. Batata-doce (também na casca)
7. Amendoim (só vale com a casca)
8. Feijão-preto

A CONTRADIÇÃO DO AÇAÍSabe aquele grupo de antocianinas que auxiliaria o corpo a expulsar as gordurinhas a mais? Ele também está presente no açaí, uma das frutas tipicamente brasileiras, riquíssima no pigmento. Mas, calma lá, você provavelmente já ouviu falar que açaí engorda. E é preciso botar isso em preto no branco. Ele é calórico porque possui um elevado teor de lipídios, justifica o pesquisador Evaldo Silva, da Universidade Federal do Pará. O que se deve ressaltar, no entanto, é que a fruta contém ácidos graxos insaturados, gorduras de perfil semelhante às do azeite de oliva. Ou seja, para o coração, consumido sem exagero, é um coquetel maravilhoso de gordura benéfica com antocianina. Numa tigela você também garante fibras e proteínas. Mas, se o ponteiro da balança já incomoda, o melhor é escolher outros ingredientes cheios do pigmento.

BEBIDA ANTICÂNCERPiceatanol glicosídeo esse composto de nome estranho foi descoberto por acaso na tese de doutorado da engenheira de alimentos Andréa Gollucke pela Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Ela deparou com a substância capaz de prevenir tumores ao estudar o suco concentrado da uva Concord. O composto é formado depois que o suco passa por um processo térmico, explica Andréa, que leciona na Universidade Católica de Santos. Para tirar proveito, prefira os sucos integrais, que, embora sejam mais raros no mercado, não são diluídos com água nem recebem aditivos, como os do tipo néctar, vendidos em caixinha.

SUCO DE UVA OU VINHO? Ambos são carregados de antocianinas, mas é difícil dizer qual deles tem mais, já que tudo depende da variedade da fruta e até da safra. Ainda assim, há quem acredite que as propriedades antioxidantes do líquido de Baco superem as do suco. Não há um consenso sobre essa questão, diz Andréa Gollucke. Nas reações químicas que ocorrem durante a fermentação do vinho, as antocianinas ficam mais estáveis, o que pode trazer benefícios para o organismo, acredita Leila Falcão. Sem falar na ação vasodilatadora do álcool, que favorece todo o sistema cardiovascular.

Permita que hortaliças como o repolho roxo e a alface da mesma cor estrelem suas saladas. Aos amantes do vinho tinto, as boas doses de antocianinas dão mais um motivo para degustá-lo. Beba, no caso, duas taças ao dia

Produção Ina Ramos e Andrea Silva / Sacolão Higienopolis / Aletier Dotta / Casa do Artista

Fonte: Revista Saúde, edição 297 – maio/2008, editora Abril. [Veja Matéria na Revista]

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Vitaminas & Minerais

As vitaminas e os Minerais são substâncias essenciais para a nossa saúde, mas a maioria delas não é produzida pelo nosso próprio organismo e precisa ser obtidas através dos alimentos, bebidas ou dos suplementos vitamínicos e minerais. Atualmente, esse tema é alvo de um grande debate entre os especialistas. De um lado, um grupo que acredita que é possível obter todas as vitaminas e minerais necessários utilizando, exclusivamente, os alimentos que regularmente ingerimos. Do outro, pesquisadores que recomendam uma alimentação saudável, suplementada com multivitamínicos, assegurando que todas as necessidades desses nutrientes sejam plenamente atingidas. Provavelmente, ao menos em parte, os dois grupos estão com a razão!

Se pudéssemos garantir que os alimentos de origem animal, as verduras e as frutas que consumimos fossem produzidas naturalmente, sem contaminações; se vivêssemos ao ar livre, longe da poluição e do estresse; e se todos fossem fisicamente ativos e não fumassem, provavelmente, assim, obteríamos todas as vitaminas e minerais, nas quantidades que necessitamos, apenas dos alimentos que ingerimos. Infelizmente, nossa realidade está bem longe desse cenário ideal. O estilo de vida moderno não contribui para que nosso organismo obtenha as quantidades adequadas de vitaminas e minerais.

Devido à rotina agitada, não conseguimos nos alimentar corretamente e o estresse provoca uma descarga de hormônios que atrapalham a ação dessas vitaminas, além de produzir radicais livres em excesso.

O próprio processo de transporte, armazenamento e preparo dos alimentos faz com que eles percam nutrientes, pois algumas vitaminas são sensíveis às alterações de calor, umidade, luz e contato com o oxigênio. As vitaminas e os minerais atuam acelerando e regulando uma série de reações químicas vitais para a nossa saúde. Vários estudos comprovam que elas são capazes de estimular o sistema imunológico,
aumentando as defesas do nosso organismo contra uma variedade de doenças. Além disso, as vitaminas A, C e E são potentes antioxidantes que protegem nossas células contra os efeitos danosos dos radicais livres. Esses verdadeiros inimigos da saúde estão diretamente relacionados com os processos degenerativos das células, como é o caso do envelhecimento e do câncer.

Porém, nunca é demais salientar que as vitaminas e minerais são úteis para complementar uma dieta saudável e não servem para substituir o consumo dos alimentos que nosso organismo necessita. Assim, como a falta desses nutrientes está na origem de diversas doenças, o consumo excessivo, especialmente o das vitaminas A, D, E e o Ferro, pode causar graves intoxicações. As necessidades diárias das vitaminas e minerais vão depender de fatores como idade, grau de atividade física, presença de gravidez ou lactação, dietas com restrição de calorias, somente para citar alguns. Porém, podemos afirmar que quanto mais colorida e saudável for a nossa alimentação, maior será a certeza de que estamos ingerindo todos os nutrientes essenciais para uma boa nutrição. Ter uma alimentação correta, praticar atividade física regularmente e fazer uso de um suplemento de vitaminas e minerais de qualidade são ótimas maneiras para ficarmos longe das doenças, estarmos bem dispostos e de bem com a vida.

Principais vitaminas e minerais, suas funções e onde são encontradas:

Vitamina A: necessária para a visão noturna, crescimento e metabolismo ósseo, antioxidante. Fontes: vegetais vermelhos e amarelos intenso, caju, manga, cenoura, gema de ovo, fígado.

Vitamina D: ajuda na absorção do cálcio. Fontes: luz do sol, leite enriquecido, salmão e cavala.

Vitamina C: antioxidante, atua na saúde da pele, cicatrização e imunidade. Fontes: frutas frescas.

Vitamina E: antioxidante, importante para a saúde cardiovascular e do sistema nervoso. Fontes: óleos vegetais, cereais integrais e nozes.

Cálcio: necessário para a saúde dos dentes e ossos. Atua na contração muscular. Fontes: leites e derivados, tofu, sardinhas.

Ferro: transporta e armazena oxigênio. Fontes: fígado, carnes vermelhas, gema de ovo, frutos do mar.

Fósforo: atua na regulação dos níveis de cálcio. Previne a fadiga muscular. Fontes: gema de ovo, leite, queijos e peixes.

Magnésio: antioxidante. Importante na contração muscular. Fontes: verduras, cereais, pães.

Zinco: antioxidante. Previne a fadiga muscular. Cicatrizante. Fontes: carnes magras, iogurte, gérmen de trigo.

Iodo: atua no metabolismo e na saúde da tireóide. Fontes: sal de cozinha, peixes e frutos do mar.

Muita saúde e sucesso para todos.

Autor: Dr.Nataniel Viunisk, Médico Nutrólogo, autor do livro Obesidade Infantil – Um Guia Prático, Editora de Publicações Biomédicas Ltda.

Fonte: Revista Today, edição 93 de maio/2006.

Efeitos biológicos dos ácidos graxos ômega 3 sobre a saúde humana

Os hábitos alimentares e os ácidos graxos essenciais

Óleo é um tipo de gordura. E gordura costuma ter certa má fama entre a maioria das pessoas, mas é preciso lembrar que o mal está nos excessos. Além disso, há lipídios que são indispensáveis para a saúde do organismo. Por exemplo, a família dos ácidos graxos poliinsaturados (PUFA – Polyunsaturated Fatty Acids), que são conhecidos como “óleos essenciais”, ou, mais corretamente, “ácidos graxos essenciais” (EFA – Essential Fats Acids). Esse nome é porque, assim como as vitaminas, eles são vitais para nós, mas não podem ser produzidos pelo corpo; assim, precisam ser obtidos na alimentação.

Só que há um problema: com as mudanças nos hábitos alimentares que a sociedade tem provocado ao longo dos últimos tempos, os níveis de alguns desses ácidos graxos essenciais (EFA) na dieta cotidiana têm se tornado criticamente baixos. Enquanto isso se observa um cada vez mais perigoso aumento de gorduras saturadas, as consideradas verdadeiramente “más”.

OS EFA são divididos em dois grupos: os do tipo Ômega-6 e os do tipo Ômega-3. Precisamos de ambos, e um tipo não pode ser transformado no outro; conseqüentemente, os dois precisam constar da nossa dieta de forma balanceada, para que tenhamos boa saúde. Entretanto, não é o que se tem observado. Na verdade, os níveis de Ômega-6 têm aumentado na dieta, em contraposição aos níveis de Ômega-3, que têm caído sistematicamente. O ideal seria que os Ômega-6 ficassem acima dos Ômega-3 apenas 4 ou 5 vezes, mas a realidade é que a diferença está em torno de 10 a 12 vezes. Conhecendo a grande importância dos Ômega-3 para a saúde, sua carência é vista como um dos principais motivos para o aumento de várias doenças no mundo.

Falando agora somente nos Ômega-3, dizemos que ele formam uma família também de dois grupos: o de cadeia curta e o de cadeia longa. O de cadeia curta é o ALA (ácido alfalinoléico), presente em alguns alimentos vegetais, incluindo óleos como o de linhaça e canola. O grupo de cadeia longa é composto pelo EPA (ácido eicosapentaenóico) e o DHA (ácido docosahexaenóico), que são sintetizados por minúsculos organismos vegetais marinhos, os fitoplânctons, mas são encontrados em peixes marinhos de águas frias e profundas, salmão, sardinha, cavala, arenque, bacalhau, anchova, que se alimentam de fitoplânctons, e também em certos frutos do mar, a exemplo de lagostas e camarões.

Embora se saiba que o ALA, obtido em vegetais, é convertido em EPA e DHA dentro do nosso organismo, pairam sérias dúvidas se as fontes vegetais de Ômega-3 podem efetivamente suprir as quantidades de EPA e DHA requeridas para a saúde. Daí a exigência de consumo de alimentos ricos em EPA e DHA.

Mas há uma dificuldade nesse ponto. Por exemplo, o Dr. Nataniel Viuniski, um dos maiores especialistas brasileiros em obesidade infantil, e membro do Conselho Médico-Científico da Herbalife, chama a atenção para a realidade cotidiana: “No dia-a-dia agitado que vivemos no século XXI, fica muito difícil incluirmos esses peixes ricos em Ômega-3 na nossa dieta pois, além de caros, são difíceis de encontrar e não fazem parte do cardápio típico do brasileiro”. Outro alerta, lançado pelo Dr. Nataniel, dirige-se às pessoas que fazem dieta para controle de peso: “muitas pessoas diminuem drasticamente a ingestão de gorduras quando querem controlar seu peso, privando o organismo dos ácidos graxos essenciais”. Uma dieta que siga um programa nutricional sério, científico, associado a suplementos que garantam a saúde, torna-se, por isso, uma necessidade.

Evidências científicas dos efeitos benéficos dos Ômega-3

Pesquisas realizadas na UNESP (Universidade Estadual Paulista), em Botucatu, SP, confirmaram aquilo que a literatura científica mundial vinha demonstrando: os ácidos graxos Ômega-3, quando incorporados à alimentação, tornam-se um importante aliado na prevenção de doenças do coração e funcionam como alternativa aos medicamentos antiinflamatórios.

Essas conclusões resultam de teses defendidas na Faculdade de Medicina da UNESP e constam de artigo1 publicado no Informativo Proex2, da própria Universidade. O referido artigo cita o professor Roberto Carlos Burini, chefe do Centro de Metabolismo e Nutrição da Faculdade de Medicina da UNESP (Botucatu), que afirma: “(…) O W-3 (Ômega-3) colabora em 50% na redução de doenças do coração e também auxilia em 40% na redução da inflamação”. O artigo acrescenta, ainda, que estudos realizados com pacientes portadores de retocolite ulcerativa, pênfigo foliáceo (“fogo selvagem”) e artrite reumatóide demonstraram efeitos biológicos positivos dos Ômega-3 sobre tais enfermidades, inclusive produzindo diminuição dos níveis de colesterol e, principalmente, de triglicerídeos.

Na mesma fonte encontra-se referência aos benefícios dos Ômega-3 em esportistas e atletas: uma vez incorporados à alimentação, os esportistas obtêm melhor desempenho aeróbico, isto é, conseguem um aumento da capacidade de seu organismo em absorver oxigênio, porque os Ômega-3 atuam na diminuição da viscosidade sangüínea. Fica entendido, portanto, que estes ácidos graxos colaboram para que haja ganhos na distribuição de oxigênio e nutrientes pelos músculos e demais tecidos do corpo. Explica o Dr. Burini: “Ingerindo-se cerca de 4g de W-3 diariamente, por pelo menos três semanas, já é possível obter os efeitos benéficos deste ácido graxo”.

Por sua vez, o The Cancer Council (Conselho de Câncer), da Austrália, publicou em janeiro de 2006, com revisão em maio, o Health Professionals Summary, dedicado ao assunto Omega-3 fatty acids, fish and cancer prevention 3 (Ácidos graxos Ômega-3, peixes e prevenção do câncer), onde são feitas referências importantes ao papel altamente positivo desses lipídios na prevenção e/ou contenção de diversas doenças que acometem o ser humano. É dito, por exemplo, que: “Há evidências limitadas, porém sugestivas, de associações entre o aumento do consumo de peixes e a redução de riscos de câncer de seio, de reto e de próstata, e entre uma elevada proporção de ácidos graxos Ômega-3 e ômega-6 na dieta e a redução de câncer de seio. (…) A evidência científica confirma claramente que pessoas que incluem ácidos graxos Ômega-3 provenientes de ambas as fontes, marinha e vegetal, como parte de uma dieta balanceada, experimentam um leque de melhorias nas condições de saúde. Os ácidos graxos Ômega-3 são conhecidos por ajudarem a reduzir o risco de doenças do coração, reduzir os triglicerídeos e aliviar estados inflamatórios como a artrite reumatóide e a doença inflamatória do intestino”.

No referido trabalho o Conselho de Câncer recomenda que as pessoas comam peixe (preferivelmente óleo de peixe) no mínimo duas vezes por semana, e incluam alguns alimentos e óleos vegetais ricos em ácidos graxos ômega-3 em sua dieta. Ressalta que “essas recomendações são consistentes com os Fundamentos do Coração (Heart Foundations) em todo o mundo e com o Guia de Dieta para Adultos Australianos (Dietary Guidelines for Australian Adults)”.

Já no seu COMA Report – Committee on Medical Aspects of the Food and Nutrition Policy 4(Relatório COMA – Comitê para Aspectos Médicos da Política de Nutrição e Alimentos), o Departamento de Saúde (Department of Health), assim como a AHA – American Heart Association 5 (Associação Americana para o Coração) recomendam o consumo mínimo de duas refeições de peixe por semana, onde pelo menos uma das quais precisa ser rica em óleo de peixe (como sardinhas, cavala e arenque). Já para pessoas que não gostam de peixe, é recomendado que seja tomado um suplemento de óleo de peixe com alto nível de Ômega-3, o que supriria, nesse aspecto, as necessidades de proteção à saúde proporcionada pelo consumo de peixe em si. Dentre os efeitos altamente positivos dos Ômega-3, faz-se referência, por exemplo, ao fato de que eles reduzem o risco de formação de coágulo sangüíneo no interior dos vasos – efeito semelhante ao da aspirina, mas sem os efeitos colaterais desse medicamento. Isso ajuda o sangue a fluir mais livremente, e reduz o risco de um coágulo sangüíneo bloquear artérias coronárias estreitadas, o que poderia resultar em ataque cardíaco potencialmente fatal. Cita-se, ainda, que estimulam os músculos que revestem as paredes das artérias a relaxarem, facilitando o fluxo sangüíneo; aumentam os níveis de HDL (“bom colesterol”) e reduzem outros lipídios sangüíneos que são prejudiciais; ajuda, a reduzir a pressão sangüínea; previnem arritmias cardíacas (batimentos cardíacos irregulares) etc. Pesquisadores também têm relatado que a suplementação de óleo de peixe pode prevenir a reincidência no fechamento das artérias coronarianas (restenose) em pacientes submetidos a angioplastia (cirurgia para abrir artérias estreitadas).

Do mesmo modo que reduzem o risco de ataque cardíaco – através do “afinamento” do sangue, protegendo contra coágulos – , os Ômega-3 podem proteger contra derrames. A maioria dos derrames (85%) resulta de um coágulo sangüíneo (trombose) bloqueando uma artéria no cérebro. Entretanto, ao mesmo tempo em que os Ômega-3 são necessários e excelentes para prevenir derrames, é preciso que se alerte para o fato de que suplementos contendo esses ácidos graxos precisam ser de altíssima qualidade, respaldados por médicos e cientistas de referência, e devem ser consumidos em doses apropriadas – isso porque, assim como a aspirina, doses exageradas de Ômega-3 podem “afinar” demais o sangue e aumentar o risco de hemorragias em casos específicos de problemas de saúde.

Na Conferência de Biologia Experimental de 2002, nos EUA, foram apresentados resultados6 de pesquisas biomédicas revelando que o óleo de alguns peixes, rico em Ômegas-3, produziu um significante aumento na sensibilidade à insulina em pacientes com sobrepeso. Isso significa que os Ômega-3, se consumidos apropriadamente na alimentação rotineira, e/ou obtidos com suplementos de alto nível de confiabilidade, reduzem os riscos da resistência à insulina e do desenvolvimento de síndrome metabólica, considerada hoje a maior causa de doenças cardiovasculares, entre outras.

De acordo com o American Journal of Clinical Nutrition 7 pesquisadores estudaram como o óleo de peixe afeta uma molécula chamada “fator de necrose tumoral-alfa” (TNF – tumor necrosis factor-alpha), conhecida por ser o “gatilho” inflamatório do corpo. O resultado indicou que o óleo de peixe age como substância anti-inflamatória ao suprimir a capacidade do corpo de produzir TNF. Por isso os Ômega-3 apresentam efeitos tão marcantes na prevenção e/ou redução dos sintomas das artrites e outras enfermidades de origem inflamatória.

Em resumo, eis uma lista dos benefícios diretos e indiretos proporcionados pelo consumo regular de Ômegas-3, com base na literatura científica atual:

· Redução dos processos inflamatórios no organismo

· Redução dos níveis sangüíneos de triglicerídeos (gorduras)

· Redução dos níveis sangüíneos de LDL (“mau” colesterol) e aumento do HDL (“bom” colesterol)

· Redução do desenvolvimento de resistência à insulina e de síndrome metabólica

· Controle/redução da pressão arterial

· Promoção do desenvolvimento do cérebro no feto e no recém-nascido (o DHA é um dos principais componentes de estruturas cerebrais) e regulação de diversas funções cerebrais também no adulto, influenciando no humor, coordenação e capacidade de aprendizagem; têm sido observados efeitos sobre certos casos de depressão e de esquizofrenia

· Estimulação dos músculos que revestem as paredes das artérias ao relaxamento, facilitando o fluxo sangüíneo

· Prevenção da reincidência no fechamento das artérias coronarianas (restenose) em pacientes submetidos a angioplastia

· Redução da agregação plaquetária (“afinamento” do sangue); redução do risco de trombose e embolias; prevenção de derrames e outros acidentes vasculares

· Proteção do endotélio (parede dos vasos sangüíneos); prevenção primária e secundária da aterosclerose

· Coadjuvante no tratamento de várias doenças, como a doença inflamatória do intestino, retocolite ulcerativa, pênfigo foliáceo, artrite reumatóide, lupus, algumas desordens renais, doença de Chrohn, diversos problemas inflamatórios de pele (psoríase, eczemas etc.)

· Fortalecimento e manutenção da integridade da retina; ajuda a melhorar a acuidade visual

· Prevenção de arritmias cardíacas

· Estimulação do sistema imunitário

· Prevenção de alguns tipos de câncer, como o de seio, de reto e de próstata

Conclusão

Uma dificuldade que se tem descoberto nos últimos tempos é que a poluição marinha está aumentando drasticamente, contaminando os ecossistemas até em alto mar. O fitoplâncton, produtor dos Ômega-3, são quem primeiro sofrem as conseqüências, acumulando toxinas e metais pesados, como o mercúrio, em seus organismos, fixando-os junto aos ácidos graxos. Os animais marinhos que se alimentam do fitoplâncton absorvem esses poluentes, os quais se reúnem às substâncias tóxicas que já existem no organismo desses animais, pelo fato de estarem presentes também em ambientes poluídos. Tudo isso se fixa justamente nos óleos que o peixe armazena em seu organismo. Por conseguinte, quando se come esses animais, adquire-se também toda essa carga de perigosos contaminantes para o corpo, resultando em intoxicações e doenças diversas, em médio e longo prazo. Por outro lado, quando esses óleos são extraídos dos animais para serem encapsulados e comercializados na forma de suplementos, as toxinas e poluentes vão junto, de maneira que o consumo dos suplementos se torna também um risco. Então, como fazer para garantir a saúde com Ômega-3 se o acesso aos mesmos passa por riscos de se adoecer por contaminação? É preciso, portanto, que a escolha do suplemento mire na garantia de que o mesmo seja produzido por uma companhia séria, através de uma altíssima tecnologia de refinamento do óleo que extraia 100% de quaisquer toxinas e poluentes presentes no organismo dos animais marinhos, e que essa rara qualidade seja garantida por um Conselho Médico-Científico de reputação ilibada, o qual responde científica e tecnicamente pela mesma. Outra dificuldade, porém, é que só se conhece uma companhia detentora dessa alta tecnologia e desse nível de responsabilidade e seriedade na produção de suplemento à base de Ômega-3, e cujo Conselho Médico-Científico atende aos requisitos de confiabilidade e elevada reputação.

A conclusão final resume-se em que pessoas saudáveis necessitam consumir rotineiramente quantidades adequadas de ácidos graxos Ômega-3, tanto para prevenir quanto para controlar e/ou reduzir diversos tipos de doenças cujo índice tem aumentado em muitos países, especialmente no Brasil. Que a maioria das pessoas não inclui esses ácidos em seu dia-a-dia, tornando-se fortes candidatos ao desenvolvimento de tais enfermidades. Que a solução mais plausível e recomendada é o consumo regular de suplementos de Ômega-3. E que a escolha dos suplementos se mire na garantia da melhor e mais alta qualidade e tecnologia existente de refinamento e produção, com respaldo de médicos e cientistas conhecidos e de absoluta confiabilidade, que se responsabilizem pelas formulações e pela origem e processamento do produto.

Algumas fontes pesquisadas

1.http://proex.reitoria.unesp.br/informativo/WebHelp/2002/edi__o06/edi06_arq12.htm

2. O Informativo Proex é uma publicação da UNESP que tem por objetivo divulgar as principais ações da Pró-Reitoria de Extensão Universitária.

3. The Cancer Council. Health Professionals Summary – Omega-3 fatty acids, fish and cancer prevention (Developed January 2006 and Reviewed May 2006). Em: http://www.nswcc.org.au/html/healthprofessionals/nutrition_physical/downloads/omega3_hp_summary.pdf#search=%22COMA%20report%20omega%203%22

4. United Kingdom Department of Health. Nutritional aspects of the development of cancer. Relatório do grupo de trabalho sobre dieta e câncer do Comitê para Aspectos Médicos da Política de Nutrição e Alimentos (Committee on Medical Aspects of the Food and Nutrition Policy. Committee on Medical Aspects of the Food and Nutrition Policy, editor. 1998. Norwich, UK, The Stationery Office.

5. Kris-Etherton, P.M., Harris, W.S., Appel, L.J. AHA Scientific Statement: Fish Consumption, Fish Oil, Omega-3 Fatty Acids and Cardiovascular Disease. Circulation: Journal of the American Heart Association, 2002; 106: 2747-2757

6. Denkins, Y. Pennington Biomedical Research Institute, Louisiana State University Baton Rouge. Experimental Biology 2002 Conference, April 20, 2002.

7. Grimble, B., et al. The ability of fish oil to suppress tumor necrosis factor alpha-production by peripheral blood mononuclear cells in healthy men is associated with polymorphisms in genes that influence tumor necrosis factor alpha-production. American Journal of Clinical Nutrition; 76, 454-459.

Autor: Ricardo Marques (Biólogo, Membro da American Society for Biochemistry and Molecular Biology)

Síndrome Metabólica

Você conhece a “Síndrome Metabólica”?

Os diversos veículos de comunicação têm aberto cada vez mais espaço para matérias sobre a Síndrome Metabólica, suas causas e suas conseqüências. Como promotores e consultores em Saúde e Bem Estar, temos o dever de esclarecer nossos amigos e clientes a respeito desse assunto, pois aumenta rapidamente, no mundo e particularmente no Brasil, o número de pessoas portadoras dessa disfunção. Por exemplo, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), há cerca de 47 milhões de americanos acometidos da síndrome.

A maioria dos especialistas concorda que a Síndrome Metabólica é caracterizada por pelo menos três dos cinco ítens abaixo:

1. Circunferência abdominal (cintura) maior que 94 cm nos homens, e maior que 80 cm nas mulheres;
2. Taxa de triglicerídios (gordura) no sangue maior que 150 mg/dl;
3. Nível de HDL (conhecido como “bom colesterol”) menor que 40 mg/dl nos homens e menor que 50 mg/dl nas mulheres;
4. Pressão arterial maior que 130/80 mm Hg (o que popularmente se chamaria de “13 por 8”);
5. Glicemia de jejum (teor de glicose no sangue, em jejum) elevada, maior que 100 mg/dl, ou diabetes tipo 2 já diagnosticado previamente.

Ou seja, se uma pessoa apresenta pelo menos três dentre os itens acima, é quase certo que ela sofra de Síndrome Metabólica. Percebe-se a importância de cada pessoa fazer exames clínicos e laboratoriais periódicos para, no mínimo, verificação de pressão sangüínea e taxas de colesterol, triglicérides e glicose. As pesquisas indicam que os pacientes com essa Síndrome apresentam um risco pelo menos duas vezes maior de desenvolver doenças cardiovasculares e cinco vezes maior de desenvolver diabetes.

Além da predisposição genética, a maior causa de obesidade abdominal, e conseqüentemente de Síndrome Metabólica, é uma nutrição desequilibrada.

A relação entre obesidade abdominal e a Síndrome Metabólica

Um fator importante que em geral está associado à Síndrome Metabólica é a obesidade abdominal. A constatação da mesma dá-se através da medição da circunferência abdominal, uma vez que uma circunferência acima da média normal costuma estar associada à gordura dentro do abdomen. Descobertas relativamente recentes comprovam que essa gordura visceral, que fica acumulada na cavidade abdominal, em volta dos principais órgãos (e não logo abaixo da pele, como o restante da gordura corporal), é identificada como uma das principais causas de diversos problemas metabólicos graves, dentre eles processos inflamatórios que se espalham por todo o organismo, e que são responsáveis pela maioria das doenças cardiovasculares, que tanto matam.

Outra disfunção bastante séria relacionada à gordura abdominal visceral é o depósito de gordura no fígado, podendo evoluir para esteatose e, posteriormente, até para cirrose.

Em 1980, pesquisadores descreveram uma síndrome chamada esteato-hepatite não-alcoólica (NASH), caracterizada por pessoas obesas e diabéticas que não usavam álcool, porém apresentavam problemas no fígado muito semelhantes às da hepatite alcoólica, com o órgão aumentado, suas células apresentando alterações em exames laboratoriais e biópsias revelando vesículas de gordura (o nome “esteatose” vem de “gordura”), necrose, inflamação e lesões diversas. O acúmulo de gordura dentro das células do fígado é um fenômeno natural, servindo para armazenar energia. Mas, por vários motivos, pode haver um acúmulo excessivo, e a partir daí, por mecanismos ainda pouco conhecidos, o organismo desencadeia uma inflamação contra as células do fígado, e estas passam a ser destruídas. A depender da intensidade dessa destruição, o fígado não consegue se regenerar, tendo suas células substituídas por “cicatrizes”. O processo pode chegar a cirrose, com todas as complicações conhecidas.

Enquanto as estatísticas mostram que em torno de 20% dos obesos morre em decorrência de problemas no fígado, também se sabe que entre 45 e 100% dos pacientes não apresentam nenhum sintoma do problema, o que piora muito a situação, pois sem que o doente sinta-se incomodado com a doença, ela torna-se uma “assassina silenciosa”.

Diante de quadros como esse, um consultor em Saúde e Bem Estar precisa saber avaliar com atenção e cuidado a presença de gordura dentro do abdomen, e assim poder ajudar a salvar a vida do seu cliente, devendo, inclusive, recomendar que o mesmo consulte um médico confiável, a respeito.

Lipoaspiração pode mascarar a gordura visceral

Sabemos que os programas nutricionais ShapeWorks (da Herbalife) são os melhores e mais seguros que existem, por trabalharem a nutrição celular com bases moleculares, não envolverem remédios, por não haver praticamente nenhuma contra-indicação, pelo altíssimo rigor científico envolvido, e pelos excelentes resultados permanentes demonstrados em milhares de pessoas, ao longo de 25 anos. Entretanto, também se sabe que o ritmo de perda de gordura através de um programa nutricional, inclusive os da ShapeWorks, varia de pessoa para pessoa, de acordo com um conjunto de fatores.

A “barriguinha” que desaparece mais rapidamente costuma ser de gordura subcutânea (sob a pele), enquanto é comum que a gordura visceral resista um pouco mais às dietas, sejam elas quais forem. Assim, de vez em quando aparecem clientes mais “apressados” que manifestam a intenção de se livrar da gordura de forma mais radical, mesmo arriscada. E a opção que costuma aparecer com maior freqüência é a lipoaspiração, graças à maneira mercantilista e leviana com que alguns médicos oferecem esse tipo de cirurgia, em nome da estética.

A questão é que a lipoaspiração só extrai, e agressivamente, a gordura abdominal subcutânea (logo abaixo da pele), não causando nenhum efeito sobre a gordura abdominal visceral. Entretanto, dermatologistas alertam para o fato de que uma simples lipoaspiração da gordura abdominal subcutânea, de finalidade puramente estética, além dos riscos já conhecidos, e de não trazer benefícios à saúde do paciente, ainda pode mascarar a presença da gordura visceral, esta sim, um importante parâmetro de avaliação da saúde.

Portanto, se um cliente seu estiver “apressado” demais para perder aquela gordurinha teimosa na barriga através de lipoaspiração, procure dissuadi-lo da idéia, demonstrando-lhe os riscos envolvidos, e que há evidências e testemunhos suficientes de que, com um mínimo de paciência e perseverança, qualquer pessoa consegue mudar consideravelmente seu corpo e sua condição de saúde, simplesmente aplicando os notáveis programas nutricionais ShapeWorks. O sistema de nutrição celular da Herbalife tem revelado os melhores resultados, tanto em matéria de estética quanto de saúde, na eliminação da obesidade abdominal e no controle da própria Síndrome Metabólica.

Autor: Ricardo Marques (Biólogo, Professor de Bioquímica, Biologia Celular e Molecular e Histologia)

Chá-verde: Bem-estar para o corpo todo

O chá verde é conhecido na China, há mais de 4.000 anos, como um poderoso aliado à boa saúde.
Mas somente nas últimas décadas os cientistas começaram a explicar como ele atua nos mais diversos sistemas do nosso organismo.
É chamado de verde porque as folhas da erva sofrem pouca oxidação durante o processamento, o que não acontece com as folhas do chá preto.
Algumas outras ervas são vendidas sob título de chá verde, porém o verdadeiro chá verde é feito a partir da folha do arbusto Camellia Sinensis.
Também conhecido como Banchá, ele é rico em polifenóis ou flavonóides, substâncias que possuem ação antioxidante (anti-radicais livres) superior a qualquer outro antioxidante natural conhecido.
De acordo com uma pesquisa da Universidade de Tohoku, no Japão, publicada recentemente no The Journal of the American Medical Association (JAMA), o chá verde – além de ser rico em manganês, potássio, ácido fólico e em vitaminas C, K, B1 e B2 – é uma boa fonte de tanino. Segundo eles, o consumo diário deste chá, associado a uma alimentação saudável e atividade física regularmente, é excelente para a saúde do organismo.
Aumentar a ingestão de líquidos, na forma de água pura ou chás, é um dos pilares de sustentação de qualquer programa de controle de peso baseado na ciência. Isso ocorre porque uma das maiores dificuldades de quem quer ter um peso saudável são os picos de fome entre as refeições. Tomar uma bebida refrescante, sem adição de açúcar, no meio da manhã ou da tarde, de preferência acompanhando um lanche nutritivo e saudável (frutas, barras de proteína ou sopas), evita que o indivíduo tenha a sensação de estômago vazio, prevenindo uma compulsão alimentar.
Além disso, aumentar a ingestão diária de líquidos é uma medida excelente para melhorar a saúde dos intestinos, rins e pele. Por falar em pele, há muito tempo já conhecemos os efeitos benéficos dos antioxidantes na proteção das células da epiderme, melhorando a circulação e ajudando a prevenir o envelhecimento precoce da cútis.
A novidade é que pesquisadores da Universidade de Nova Jersey descobriram que o chá verde na forma de creme melhora o sistema de defesa das células da pele contra os raios ultravioleta do tipo B.
Eles demonstraram que a aplicação de extrato de chá verde na pele de humanos 30 minutos antes da exposição à radiação ultravioleta reduziu significativamente o eritema (ou “vermelhão”), além de diminuir a formação de radicais livres e células inflamatórias. Ao reduzirmos a inflamação causada por essa radiação, aumentamos a proteção contra o câncer de pele.
O tanino presente nesta planta possui propriedades anti-sépticas e adstringentes, podendo ser indicada para limpeza de peles oleosas, especialmente do couro cabeludo.
A cada dia aparecem mais estudos demonstrando os benefícios do chá verde, tanto quando ingerido como aplicado na pele. É a Ciência da nutrição trazendo bem-estar para todo o nosso organismo.

Autor: Dr. Nataniel Viuniski, Médico Nutrólogo especialista em obesidade.

Fonte: Revista Today, edição 102 setembro/2007.