Posts Tagged ‘Dr.Michael Holick’

Resumo Capítulo 2, livro “Vitamina D” do Dr.Michael Holick

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Vitamina D – Como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes“, Capítulo 2:

VITAMINA D

Capítulo 2

”(…) Neste capítulo, veremos como o nosso corpo produz, a partir da radiação ultravioleta do sol, e como ele utiliza essa forma ativada de vitamina D, um dos hormônios mais vitais à sobrevivência do nosso corpo. Além disso, vamos explorar a magnífica ligação entre a vitamina D e o cálcio e verificar por que todo o cálcio do mundo não mantém nossos ossos fortes sem a ajuda da vitamina D. (…)

A vitamina D existe neste planeta há mais de quinhentos milhões de anos, muito antes de qualquer organismo pensar em querer desenvolver ossos ou apêndices, ou de poder andar em pé, sobre duas patas. (…)

Em algum momento, durante a longa vida deste planeta, os seres vivos cansaram do oceano e começaram a se aventurar para a terra firme. Mas, assim que eles abandonaram as águas ricas em cálcio, há aproximadamente 350 milhões de anos, tiveram que encarar um problema: não havia cálcio disponível em terra firme; ele estava incrustado na terra e ia parar nas raízes e nas folhas das plantas. Nas águas salinas dos oceanos, os esqueletos primitivos desses primeiros seres vivos podiam absorver o cálcio de um modo direto ou eles comiam fitoplâncton ou zooplâncton (animais microscópicos), que era ricos em vitamina D. (…)

Foi a exposição da pele à luz do sol – que produz a vitamina D – que permitiu que esses animais evoluíssem em terra firme, como a capacidade de absorver cálcio suficiente dos alimentos para as suas estruturas ósseas. O papel principal do cálcio é manter as funções neuromusculares, bem como desenvolver os ossos, e os nossos ancestrais desenvolveram um sistema para absorção de cálcio dos alimentos. Esse processo de transporte bioquímico na absorção do cálcio dietético requer a presença da vitamina D, que é produzida na pele, quando exposta à luz solar. (…)

A vitamina D produzida na pele dura duas vezes mais no sangue do que a vitamina D ingerida na dieta.

Quando estamos expostos à luz do sol, não produzimos apenas a vitamina D, mas também vários outros produtos de reações fotoquímicas que não podem ser obtidos a partir da dieta. Não sabemos se esses produtos de reações fotoquímicas têm ações biológicas singulares que podem beneficiar adicionalmente a saúde. Entretanto, esse é um fato interessante, e continuamos a buscar mais informações na área. (…)

Nossos antepassados viviam na região do Equador, onde há bastante luz solar e, portanto desenvolveram pele escura, rica em melanina, que os protegia contra as queimaduras solares, mas que “deixava passar” o suficiente para a produção da vitamina D.

À medida que os humanos começaram a migrar para longe do Equador, (…) a pele ficou menos pigmentada a fim de absorver mais eficazmente a radiação solar disponível. Quanto mais os homens migraram para o norte, mais a pele humana clareou, permitindo o máximo uso da luz do sol. (…)

Mesmo hoje, os indivíduos de pele clara não precisam de muita exposição à luz do sol para produzir quantidade suficientes de vitamina D para a sua saúde, e os indivíduos de pele escura são naturalmente protegidos contra as queimaduras do sol. (…)

Desde o início dos registros históricos, o homem venera o sol por causa das suas propriedades terapêuticas e curadoras. (…) A terapia solar, também foi enaltecida por Hipócrates (filósofo grego considerado o “Pai da Medicina” e criador do juramento de Hipócrates), pelos médicos da Roma Antiga e da Arábia. (…) Não é surpresa que os povos antigos entendiam, instintivamente, os benefícios do sol.

Do ponto de vista científico, a corrida para o entedimento da função da terapia solar começou mais recentemente, nas décadas iniciais do século 20. (…) o Prêmio Nobel de Medicina, em 1903, foi para um fotobiólogo que demonstrou os benefícios da exposição à luz solar para a saúde.

Entretanto, um fato estranho aconteceu nos últimos quarenta anos. (…) Com a revelação de que a luz do sol contribuía para o câncer de pele e para o envelhecimento precoce, as atitudes mudaram. Os interesses financeiros alavancaram as campanhas para convencer o público de que o sol é totalmente prejudicial à saúde, de modo que todos usassem protetor solar e fossem ao dermatologista regularmente. Graças ao bombardeio de informações que foi – e que ainda é – lançado sobre o público, passamos a acreditar que isso é “verdade”.

Nos últimos quarenta anos, a comunidade dermatológica e, mais recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS), vêm recomendando que as pessoas nunca se exponham à luz direta do sol. Essa é a causa principal da pandemia internacional de deficiência de vitamina D. As indústrias farmacêuticas conseguem vender o medo, mas não podem vender a luz solar, portanto, não há campanhas sobre os benefícios da luz do sol. (…) Entretanto, nada é mais poderoso do que a informação. Assim, vamos viajar pela máquina milagrosa de vitamina D que é o corpo humano. (…)

Como anteriormente mencionado, identifiquei a forma circulante mais comum de vitamina D (25-vitamina D) e a sua forma ativa (1,25 vitamina D, que é a única forma de vitamina D que fornece benefícios diretos aos humanos) durante o curso de medicina, há mais de trinta anos. Quando entendemos que a ativação da vitamina D acontece nos rins, ficou imediatamente claro por que os doentes renais sofriam de doenças ósseas graves e tinham resistência à vitamina D. (…)

Em 1979, o grupo do Dr.DeLuca relatou que praticamente todos os tecidos do corpo pareciam reconhecer a forma ativa da vitamina D. A minha equipe, bem como outras, conseguiu demonstrar que todos os tecidos e células do corpo possuem um receptor para a vitamina D. Só então começamos a compreender que, talvez, a vitamina D tivesse outras ações biológicas além das de regulação do metabolismo de cálcio e da manutenção dos ossos. (…)

O ph.D. Tatsuo Suda demonstrou no laboratório que as células leucêmicas com receptor de vitamina D incubadas com a forma ativa da vitamina D tinham seu crescimento inibido e passavam a se diferenciar normalmente, freando suas atividades cancerígenas. Esse foi o primeiro indício da potente ação biológica da vitamina D e do seu papel primordial na prevenção do câncer. Após essa observação, no início da décado de 1980, demonstramos que a forma ativa da vitamina D pode regular o crescimento da pele e ser usada para o tratamento da psoríase. (…)

Descobrimos que as células com receptores de vitamina D possuíam uma grande variedade de genes que eram ativados e desativados pela vitamina D. Esse genes controlavam o crescimento celular e induziam células malignas à normalidade ou à morte. (…)

Até a metade da década de 1990, acreditávamos que os rins eram responsáveis pelo suprimento da totalidade da vitamina D ativada. Os rins produzem vitamina D a partir da 25-vitamina D circulante, que é liberada pelo fígado. O fígado aprisiona a 25-vitamina D produzida pela pele após a exposição à luz do sol e, em menor nível, a partir dos alimentos que contêm vitamina D. Na verdade, a quantidade de vitamina D ativada produzida pelos rins é muito pequena (aproximadamente 2 a 4 microgramas por dia, que equivale a um centéssimo de um grão de sal), e esse suprimento não se altera independentemente da quantidade existente de 25-vitamina D na corrente sanguínea. Em outras palavras, podemos aumentar dramaticamente a quantidade de 25-vitamina D na corrente sanguínea deitando na praia todos os dias do verão, bebendo litros de leite e comendo salmão em todas as refeições, e, mesmo assim, nossos rins vão produzir a mesma pequena quantidade de vitamina D ativada. (…)

O tempo todo estávamos às portas de uma reviravolta no nosso entendimento da relação entre a exposição à luz do sol e a saúde celular. (…) Em outras palavras, começávamos a aceitar a idéia de que nós, humanos, somos capazes de produzir vitamina D ativada em praticamente todas as partes do corpo.

O processo é extraordinário. Antes, pensávamos que somente os rins podiam ativar a vitamina D e, depois, entendemos que uma variedade de células, incluindo as da mama, da próstata, do cólon, do pulmão, do cérebro, da pele e, provavelmente, a maior parte dos outros tecidos e células, também tinham essa capacidade. Quando a 25-vitamina D alcança e entra nessas células, ela se converte em vitamina D ativada. Entretanto, diferente do processo dos rins, que produzem a vitamina D ativada a partir da 25-vitamina D e a encaminham, por meio da corrente sanguínea, aos intestinos e aos ossos, em outras células, tais como as cerebrais, a 25-vitamina D é convertida em vitamina D ativada e é usada localmente, na própria célula. Depois que desempenha suas funções vitais, a vitamina D ativada induz a sua própria destruição (e, desse modo, não pode entrar na corrente sanguínea e criar um excesso de vitamina D ativada, que poderia ser tóxico). (…)

Essa foi uma descoberta significativa, pois, agora, temos certeza de que o aumento dos níveis de 25-vitamina D na corrente sanguínea, com a exposição à luz do sol, e em menor grau, com a dieta e a suplementação, ajudará a diminuir a probabilidade de ocorrência de diversas doenças – especialmente aquelas causadas pelo crescimento celular anormal, tal como o câncer. Além disso, descobrimos que o sistema imunológico tem capacidade de gerar a vitamina D ativada e, portanto, a exposição à luz solar pode ser importante para a prevenção e o tratamento de doenças autoimunes, tais como a esclerose múltipla, a doença de Crohn e o diabetes do tipo 1. (…) Por causa dessa constatação na contramão do que ouvimos frequentemente -, as vantagens da exposição à luz do sol superam, em muito, suas consequências potencialmente negativas. (…)

A radiação ultravioleta, ou UV, é formada pela UVA, a UVB e a UVC. (…) A radiação UVA alcança o solo até cem vezes mais do que a UVB, e embora a UVA contenha muito menos energia do que a UVB, ela pode penetrar mais profundamente as camadas da pele, onde afeta as estruturas elásticas e aumenta os radicais livres, causando rugas e influenciando o sistema imunológico e os melanócitos, que são as células de pigmentação da pele. Por isso, acredita-se que a UVA seja a causa principal dos melanomas. (…) A UVB avermelha a pele e é o principal contribuinte, no longo prazo, para os outros cânceres de pele que não são melanomas. (…)

A UVB é a única forma de radiação que dá início à reação na pele que estimula a produção de vitamina D. Até pouco tempo atrás, a maior partes do protetores solares bloqueava apenas a radiação UVB, o que pode ter precipitado o aumento do número de casos de melanomas nos Estados Unidos e nos países ocidentais. (…) Sete fatores-chave influenciam quanto de radiação UV atinge um indivíduo na Terra:

  1. Hora do dia
  2. Estação do ano
  3. Latitude
  4. Altitude
  5. Condições climáticas
  6. Reflexo
  7. Poluição

Da radiação UVB para a vitamina D ativada

A cadeia de reações tem início quando a radiação UVB atinge a superfície da pele, na qual como vimos anteriormente, um precursor do colesterol, chamado 7-dehidrocolesterol (também conhecido como provitamina D3, ou 7-DHC), converte-se em vitamina D3 na camada superior de nossa pele. (…) Essa forma de vitamina D é também chamada de colecalciferol ou de vitamina D3, e é o mesmo sintetizado a partir da lanolina das ovelhas para os suplementos de vitamina D3. A vitamina D3 permanece biologicamente inativa até que o fígado a aprisione e crie a forma circulante mais comum, a 25-vitamina D (também chamada de calcidiol). Antes da vitamina D chegar ao fígado para ser transformada em 25-vitamina D, parte dela se desloca para a gordura subcutânea, onde é estocada. A vitamina D é solúvel em gordura, e portanto é aí que ela pode ser estocada e usada durante os meses de inverno, sendo liberada de acordo com as necessidades. (…)

É nos rins que a 25-vitamina D se transforma na sua forma mais ativa, a 1,25-vitamina D. Essa forma é responsável pela regulagem do metabolismo do cálcio e pela saúde dos ossos. Se o nível de vitamina D não estiver adequado, não podemos usar o cálcio. Quando sofremos de deficiência de vitamina D, não conseguimos absorver mais que 10% a 15% do cálcio da dieta ou oriundo de suplementos. Quando sofremos de insuficiência de vitamina D, absorvemos menos de 30% do cálcio da dieta. Ter nível insuficiente de vitamina D significa que, não há deficiência, mas as quantidades estão aquém das necessárias para o perfeito funcionamento do corpo. (…)

Frequentemente, os pacientes são instruídos a ingerir cálcio em complemento à terapia medicamentosa, mas os médicos não lembram aos seus pacientes da ingestão da vitamina D. Sem disponibilidade de vitamina D, o cálcio que ingerimos tem menos utilidade. (…)

O único teste para avaliação do nível de vitamina D

A forma principal circulante – a 25-vitamina D – é o seu metabólito mais importante. A dosagem da 25-vitamina D é o que os especialistas da área, recomendam para avaliar os estoque da vitamina D (nos exames de laboratório você pode ver 25 (OH) D sérico). Os médicos têm cada vez mais consciência das diferenças, e ainda assim, mais de 20% deles solicitam o exame errado. (…)

A vitamina D2 versus vitamina D3: Qual a diferença?

A vitamina D gerada na pele é a D3. A vitamina D2 é produzida a partir de leveduras e há mais de sessenta anos é usada para fortificar os alimentos e os suplementos. (…)

A maior parte dos suplementos vendidos é de vitamina D3, mas não há prejuízo nenhum na obtenção de suplemento com a vitamina D2, que é a escolha ideal para os vegetarianos, que não querem suplementos de fontes animais nas suas dietas. (…)

O que é deficiência?

A comunidade internacional define atualmente a deficiência de vitamina D como o nível sanguíneo de 25-vitmina D menor do que 20 nanogramas por mililitro. A insuficiência de vitamina D é definida como de 21 a 29 nanogramas por mililitro. Idealmente, devemos procurar manter o nível de 25-vitamina D em, pelo menos 30 nanogramas por mililitro, considerando que 100 nanogramas por mililitro é o limite superior de segurança. (…)

A luz do sol destrói qualquer excesso de vitamina D produzido pelo nosso corpo, portanto nunca ficamos intoxicados quando produzimos vitamina D a partir da luz solar. (…)

A exposição ao sol, em roupa de praia, por tempo suficiente para conseguir uma cor levemente rosada no dia seguinte equivale à ingestão de 15 a 20 mil UI de vitamina D. (…) O corpo tem uma capacidade enorme de produzir vitamina D, em qualquer idade. Embora o envelhecimento reduza os níveis da provitamina D, que é a molécula responsável pela produção da vitamina D na pele, o corpo possui os ingredientes necessários para a sua produção se contar com uma exposição adequada à luz do sol, mesmo aos 90 anos de idade. (…)”

Retirado do livro: “Vitamina D”, 2012 – Editora Fundamento, de Michael F. Holick [Comprar o livro]

Anúncios

Resumo Capítulo 1 (parte 2/2), livro “Vitamina D” do Dr.Michael Holick

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Vitamina D – Como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes“, Capítulo 1 (parte 2/2):

VITAMINA D

Capítulo 1 – O que é a Vitamina D?

”(…) Os hormônios são moléculas mais complexas e sofisticadas que as vitaminas. E agem de dois modos: primeiro, eles podem entrar nas células e navegar pelo mar de citoplasma celular até chegarem ao núcleo – o cérebro das células -, influenciando sua atividade; segundo, eles podem se ligar a um receptor na membrana celular e a partir daí transmitir um sinal para a célula, com comandos para que ela mude as suas atividades de diversos modos. A vitamina D ativada age, principalmente, por meio da interação com seu receptor dentro do núcleo da célula.

Contrariamente às crenças do passado – de que só os ossos, os intestinos e os rins possuíam receptores de vitamina D -, agora sabemos que os receptores de vitamina D estão espalhados por todo o nosso corpo. Podemos provar que o cérebro possui receptores de vitamina D e que a forma ativa de vitamina D estimula a produção da serotonina, neurotransmissor relacionado ao bom humor. (…) Os adipócitos também têm receptores de vitamina D e podem ser metabolicamente mais ativos (ou seja, queimar mais calorias) se tiverem mais vitamina D. De modo geral, as pessoas pensam que os adipócitos são somente bolas inanimadas de gordura; mas, na verdade, eles são participantes ativos no processo que sinaliza ao cérebro que estamos satisfeitos e que não precisamos de mais comida. Quando estamos saciados, os adipócitos secretam um hormônio chamado leptina, que permite que nos afastemos da comida. A falta de vitamina D interfere na ação desse hormônio supressor do apetite, que trabalha regulando o peso do corpo. (…) já foi demonstrado que a deficiência de vitamina D exacerba o diabetes do tipo 2, prejudica a produção de insulina no pâncreas e aumenta a resistência à insulina.

(…) Como tal, ela pode interferir no surgimento do câncer. Se uma célula perde o controle sobre o próprio crescimento, ela está prestes a se tornar uma célular cancerosa maligna. A forma ativa da vitamina D pode ajudar no resgate, ativando genes que controle o crescimento celular, ou induzindo a apoptose – um processo em que a própria célula se destrói, ou seja, comete suicídio. Se o tumor permanece e começa a crescer, a vitamina D ativa pode, ainda, tentar uma das suas outras ações mágicas: ela impede a formação de vasos sanguíneos que fornecem a nutrição necessária à sobrevivência do câncer. Infelizmente, uma vez que o processo maligno tenha início, o câncer, ardilosamente, se torna resistente ao efeito benéfico da forma ativa de vitamina D. Por isso, é muito importante manter níveis suficientes de vitamina D ao longo da vida.

(…) Afirmar que o medo do sol ou que o uso excessivo de protetor solar diminuiu a nossa capacidade de manter níveis adequados de vitamina D é só um dos aspectos do problema. (…) Idade, sexo, raça, localização geográfica, fatores culturais, dieta, medicamentos e até mesmo determinadas condições de saúde, tais como a obesidade, a doença hepática, a doença intestinal e a doença renal, todas contribuem para a epidemia. As pessoas que se submeteram à cirurgia bariátrica para controlar a obesidade representam desafios adicionais.

(…) Quanto mais escura for a cor da pele, mais difícil se torna a produção de vitamina D, pois a melanina, que é o pigmento que colore a pele, age como um protetor natural contra a luz solar.

(…) Quanto mais velhos ficamos, mais difícil fica a produção de vitamina D em quantidades suficientes. Uma pessoa com 70 anos de idade tem apenas um quarto da capacidade de um indivíduo de 20 anos para produzir vitamina D.

(…) outro relato recente mostrou que adolescentes com deficiência ou insuficiência de vitamina D apresentaram uma chance 200% maior de ter hipertensão e taxa alta de glicose no sangue e 400% maior de desenvolver pré-diabetes do tipo 2 (também chamado de síndrome metabólica), quando comparados aos adolescentes que apresentavam níveis adequados de vitamina D.

(…) Uma vez que a vitamina D é armazenada nos adipócitos, imaginaríamos que as pessoas obesas teria um volume extra de vitamina D disponível para compensar qualquer falta. Mas esse tipo de raciocínio não está correto e, a bem da verdade, existe um relacionamento paralelo entre a deficiência de vitamina D e a obesidade. Quanto mais engordamos, mais aumentamos o risco de deficiência. Por quê? Porque a vitamina D fica essencialmente presa nos adipócitos e indisponível para uso.

(…) Quando as pessoas estão em dúvida se têm ou não, deficiência de vitamina D porque não pertencem aos grupos de risco, eu costumo lembrá-las de que é quase impossível suprir as nossas necessidades com dieta e ingestão de polivitamínicos.

(…) Verifique o seu pacote diário de polivitamínicos. Aposto que a dose diária total recomendada é de 400 UI de vitamina D. Essa dose não é nem a metade da que deveríamos ingerir. E não podemos simplesmente, dobrar ou triplicar as doses de polivitamínicos, pois isso pode ser perigoso por causa da dose de vitamina A que vamos ingerir.

(…) Há alguns anos comparamos o salmão silvestre ao de criadouro. O salmão silvestre contém altos níveis de vitamina D porque obtém essa vitamina a partir da cadeia alimentar da natureza, onde ela existe em abundância, por meio da fotossíntese pelo fitoplâncton e zooplâncton. Por outro lado, o salmão de criadouro é alimentado com ração, que tem um valor nutritivo muito baixo. Por isso, não há essencialmente vitamina D nele.

(…) Quando o corpo não consegue aquilo que precisa para maximizar as funções celulares e manter a vida, há inevitavelmente, um declínio na saúde, que se manifesta por meio das doenças sobre as quais ouvimos e lemos todos os dias (e que tememos), tais como as doenças cardíacas, o câncer, o diabetes, a artrite, a osteoporose e a demência, só para lembrar algumas. Essas doenças levam à perda da independência e diminuem a qualidade de vida dos indivíduos afetados. (…)”

Retirado do livro: “Vitamina D”, 2012 – Editora Fundamento, de Michael F. Holick [Comprar o livro]

Resumo Capítulo 1 (parte 1/2), livro “Vitamina D” do Dr.Michael Holick

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Vitamina D – Como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes“, Capítulo 1 (parte 1/2):

VITAMINA D

Capítulo 1 – O que é a Vitamina D?

”(…) O sol é tão vital para a nossa saúde e bem-estar quanto os alimentos, o abrigo, a água e o oxigênio. (…) Qual o papel da vitamina D no envelhecimento e na doença?

Muito maior do que podemos imaginar.

Quando afirmo que a deficiência de vitamina D é o desafio mais comum para a saúde em todo o mundo, a resposta que ouço nos países mais ricos e desenvolvidos é quase sempre a mesma: “Bem, isso não pode acontecer comigo ou com qualquer outro no meu país. Nós temos o melhor sistema de saúde.” Quando lembro às pessoas que o melhor modo de assegurar níveis saudáveis de vitamina D é com a exposição moderada ao sol, de duas a três vezes por semana, a resposta sempre contém uma ameaça velada, que é mais ou menos assim: “Você só pode estar brincando! O sol é o vilão do câncer e do envelhecimento precoce. Nem pensar! Eu nunca vou considerar luz solar como remédio. Nem pensar!”

Os números que provam o contrário são altos e gritantes e, ao longo deste livro, serão divulgados.

(…) só recentemente começamos a entender quão importante é a vitamina D para a manutenção da saúde de cada um dos sistemas e células dessa máquina sofisticada que é o nosso corpo. A vitamina D pode ser tão vital para a saúde do coração e do cérebro quanto é para a saúde dos ossos. (…) pode prevenir ou ajudar no tratamento de um número infindável de patologias, desde a pressão alta até a dor lombar, do diabetes até a artrite, das infecções das vias respiratórias superiores até as doenças infecciosas, e da fibromialgia até o câncer. Além disso, a vitamina D parece melhorar a fertilidade, ajudar no controle do peso corporal e auxiliar a memória.

(…) Nos últimos cinco anos houve uma reviravolta no entendimento dos diversos benefícios para a saúde que resultam da exposição ao sol. Essa mudança forçou uma reavaliação do valor da exposição ao sol. Tenho orgulho de dizer que estive à frente dessas ações.

(…) No início do século 20, os cientistas determinaram que a radiação ultravioleta na luz do sol era o que estimulava a produção de vitamina D pelo corpo humano. (…) Com base nos achados de que a vitamina D gerada pela exposição ao sol melhorava a saúde óssea, as indústrias de leite e derivados da Europa e dos Estados Unidos começaram a enriquecer o leite com a vitamina D. Foi iniciada uma corrida maluca, e os fabricantes enriqueceram exaustivamente produtos alimentícios e bebidas com a vitamina D. Produtos como o pão branco de forma, a salsicha para cachorro-quente, refrigerantes e até mesmo a cerveja eram vendidos com promessa de suprimento de vitamina D. (…) Em 1903, o Dr.Niels Ryberg Finsen, fotobiólogo, ganhou o Prêmio Nobel de Medicina após demonstrar, eficazmente, que a exposição ao sol curava diversos tipos de doenças, incluindo o lupus vulgaris, ou tuberculose cutânea.

(…) Entretanto, nos últimos quarenta anos, a recomendação mudou radicalmente. Atualmente, se um pai ou uma mãe deixar o filho brincando em um parque ou praia, exposto ao sol e sem protetor solar, será fatalmente acusado de maus-tratos.

(…) Em julho de 2009, a Academia Americana de Dermatologia publicou uma “declaração revisada de posicionamento sobre a vitamina D, após uma revisão atualizada da gama crescente de literatura científica sobre essa vitamina e sobre a sua importância para a boa saúde.”  Muito embora extremamente tímida no apoio à exposição de luz solar, (…) a academia recomendou que seus membros permanecessem atentos à importância da vitamina D e que prestassem atenção aos pacientes com maior probabilidade de apresentar deficiência da vitamina. A academia declarou que os indivíduos com risco de desenvolver deficiência deveriam ser encorajados a aumentar a ingestão de vitamina D por meio da alimentação e dos suplementos – e não com a exposição à luz do sol. Fico feliz por ver que estamos progredindo, mesmo que a passos de tartaruga, (…).

(…) A enfermidade óssea e o raquitismo são, somente a ponta do iceberg chamado vitamina D. Um número cada vez maior de adultos desenvolve uma condição óssea relacionada à deficiência de vitamina D chamada osteomalacia, que também é conhecida como raquitismo adulto. Diferentemente da osteoporose, que é a doença dos ossos frágeis, indolor, e que acomete os adultos com idade mais avançada, a característica da osteomalacia é a dor vaga, mas frequentemente intensa, nos ossos e nos músculos. Por vezes, a doença é diagnosticada, equivocadamente, como fibromialgia, síndrome da fadiga crônica ou artrite.

Naturalmente, tendemos a pensar que a vitamina D é uma vitamina – uma substância que obtemos a partir dos alimentos, como a vitamina C ou a niacina, e que participa em reações biológicas que ajudam o corpo a funcionar perfeitamente. Mas, apesar do nome, a vitamina D não é, de fato, uma vitamina. E como já mencionado, não podemos depender unicamente da dieta para obtê-la. Entretanto, produzimos vitamina D na nossa pele. A vitamina D é uma classe em si própria. Os seus inúmeros efeitos no organismo ocorrem de modo similar à atuação dos hormônios, que agem influenciando as vias metabólicas, as funções celulares e a expressão de um número incontável de genes.

(…) As vitamina são obtidas por meio da dieta ou de suplementos, sendo vitais para o crescimento, para o desenvolvimento e para as reações metabólicas. Por outro lado, os hormônios são sintetizados pelo corpo a partir de precursores simples e se dirigem aos tecidos mais distantes, onde produzem um determinado efeito e provocam melhorias metabólicas múltiplas.

(…) Entretanto, antes de poder agir como hormônio, a vitamina D precisa passar por dois estágios de ativação – um no fígado e outro nos rins.

(…) A aplicação na pele de um protetor solar com um FPS de 8 permite a absorção de 90% da radiação UVB, diminuindo a capacidade de produção da vitamina D em, aproximadamente 90%. Do mesmo modo um FPS de 30 reduz a capacidade em 99%. (…)”

Retirado do livro: “Vitamina D”, 2012 – Editora Fundamento, de Michael F. Holick [Comprar o livro]

Resumo Prefácio e Introdução, livro “Vitamina D” do Dr.Michael Holick

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Vitamina D – Como um tratamento tão simples pode reverter doenças tão importantes“, Prefácio e Introdução:

VITAMINA D

Prefácio

”O livro estabelece novos padrões de saúde e bem-estar que, acredito, mudarão o perfil da medicina que conhecemos. Este guia ajuda a entender por que a vitamina D é tão essencial para a saúde de um modo geral e mostra como podemos colher seus benefícios com uma prescrição de três passos que qualquer pessoa é capaz de seguir. Desde a identificação da forma ativa de vitamina D no corpo humano, há quase trinta anos, o meu amigo e colega Dr.Michael F. Holick lidera as pesquisas sobre a vitamina D e tem sido o pioneiro em vários estudos que associam uma ampla variedade de doenças, que atingem quase 200 milhões de americanos, a um único fator de risco comum – a deficiência de vitamina D.

(…) Diferentemente da crença popular, a vitamina D não está relacionada apenas ao fortalecimento dos ossos, distinguindo-se de todas as outras vitaminas. Na verdade, a vitamina D é um hormônio que desempenha um papel central no metabolismo e, também nas funções musculares, imunológicas e neurológicas, assim como na regulação da inflamação.

(…) A necessidade da luz do sol para a sobrevivência humana é um fato bem documentado, mas passamos por uma verdadeira lavagem cerebral e fomos condicionados a acreditar que a exposição à luz solar é maléfica. Isso é lastimável e incorreto.

(…) Este livro é um guia prático para a manutenção da boa saúde. Conforme prescrito pelo Dr. Holick, eu tomo diariamente meu suplemento de vitamina D e me exponho, sem proteção e moderadamente, à luz do sol enquanto pratico natação na minha piscina. Depois de ler este livro, tenho certeza, você fará o mesmo.”

Dr.Andrew Weil

Introdução

”(…) Se eu tivesse que dar a receita de um único ingrediente secreto para uso na prevenção – e, em muitos casos, no tratamento – das doenças cardíacas, dos cânceres mais comuns, dos acidentes vasculares cerebrais, das doenças infecciosas desde a gripe até a tuberculose, do diabetes dos tipos 1 e 2, da demência, da depressão, da insônia, da fraqueza muscular, da dor nas articulações, da fibromialgia, da osteoartrite, da artrite reumatóide, da osteoporose, da psoríase, da esclerose múltipla e da hipertensão, o ingrediente seria: a vitamina D.

Surpreso? Na verdade, inicialmente, devo esclarecer que sofremos de uma deficiência séria dessa vitamina que ameaça a nossa existência e longevidade. (…) Esta não é somente a deficiência nutricional mais comum no mundo, como também a condição médica mais frequente, afetando pelo menos 1 bilhão de pessoas.

(…) Nas áreas próximas à linha do Equador – na África do Sul, na Arábia Saudita, na Índia, na Austrália, no Brasil, ou no México, por exemplo – estima-se que de 30 a 80% das crianças e dos adultos que se expõem pouco ao sol sofram de deficiência ou de insuficiência de vitamina D.

Atualmente, 75% dos americanos têm deficiência de vitamina D, contra 50% em relação a vinte anos atrás.

A pergunta é: O que está acontecendo e o que podemos fazer? Como pode uma única vitamina estar associada a tantas condições médicas?

(…) Dentre os objetivos desta obra está o de enfatizar a importância da vitamina D (que, na verdade é um hormônio) para as nossas vidas e, assim motivar os leitores a usufruir das recompensas que um nível saudável de vitamina D pode oferecer.

(…) Do mesmo modo, não é correto pensar que os alimentos e os polivitamínicos forneçam níveis suficientes de vitamina D.

(…) A importância da vitamina D me interessa há mais de três décadas. Durante meus estudos na faculdade de medicina e ao longo do programa de doutorado na Universidade de Wisconsin, na cidade de Madison, Estados Unidos, na década de 1970, ainda não se sabia que a vitamina D precisa ser ativada no fígado e nos rins antes de se tornar disponível para uso no corpo. Durante o programa, sob a tutela do promissor professor Dr.Hector DeLuca, fui responsável pelo isolamento e pela identificação da principal forma de vitamina D circulante em humanos e da forma ativa produzida pelos rins. (…) Na faculdade de medicina, meu companheiro de quarto e eu produzimos quimicamente a forma ativa da vitamina D em um tubo de ensaio e a administramos a pacientes que se tornaram cadeirantes em decorrência de insuficiência renal associada à doença óssea. Os pacientes voltaram a andar. Essa foi a minha introdução à aplicação prática da pesquisa sobre vitamina D e, desde então, trabalho na área.

(…) As minhas contribuições para os campos da bioquímica, fisiologia, fotobiologia e metabolismo da vitamina D são inúmeras.

(…) Continuo a pesquisar e já publiquei mais de trezentos artigos científicos em revistas médicas importantes…

(…) Em 2009, recebi o Prêmio de Pesquisa de Saúde do Instituto Linus Pauling e o Prêmio Nutrição da DSM por minhas contribuições para a área.

ENTÃO, VITAMINA D POR QUÊ?

(…) Níveis adequados de vitamina D podem aumentar a fertilidade, proteger a gravidez, reduzir inflamações, ajudar a controlar o peso corporal, proteger contra doenças infecciosas, tais como a gripe e a tuberculose, prevenir o acidente vascular cerebral e a demência, potencializar o sistema imunológico e a memória e manter a força muscular. Tudo isso significa que a vitamina D pode ser o segredo antienvelhecimento mais desvalorizado e incompreendido da atualidade.

(…) Frequentemente, respondo as perguntas sobre deficiência de vitamina D vindas de instituições famosas, como a NASA e o Zoológico Nacional de Washington, e oriento as pessoas que lá trabalham sobre como identificar segura e confiavelmente os problemas nessa área. Ajudei, até mesmo, no desenvolvimento de um projeto de iluminação que replica a luz solar nas jaulas para répteis e presto consultoria a funcionários de zoológicos sobre como agir para manter os animais que dependem da vitamina D saudáveis e férteis. Afinal, a questão é de vida ou morte.

E pode ser uma questão de vida ou morte para todos. Portanto, vire a página a assuma o controle da sua saúde de um jeito que você nunca havia pensado antes. Esqueça seus preconceitos sobre o sol e a vitamina D e abra sua mente para uma nova perspectiva. Isso poderá mudar a sua saúde e sua vida drasticamente.”

Retirado do livro: “Vitamina D”, 2012 – Editora Fundamento, de Michael F. Holick [Comprar o livro]