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Matéria sobre Estatinas x Colesterol, Revista Época, edição 520 de 05/05/2008

Matéria veiculada na Revista Época, edição 520 de 05/05/2008, com a manchete:

colesterol -Talvez o seu médico tenha deixado de contar: novas pesquisas afirmam que os remédios mais receitados não beneficiam a maioria dos pacientes

SAÚDE & BEM-ESTAR

01/05/2008 – 23:30 | Revista Época, Edição nº 520

Revista Época edição 520 de 05/05/2008Colesterol: o que o médico não lhe diz

Novas pesquisas sugerem que as pílulas mais receitadas não beneficiam a maioria dos pacientes

CRISTIANE SEGATTO, COLABOROU LAILA ABOU MAHMOUD

O professor Wanderley Marques Bernardo, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), é um sujeito persistente. Não sossega enquanto não prova por A mais B que as vantagens apregoadas pelo fabricante de determinado remédio são excelente peça de marketing baseada em ciência discutível. Nos últimos seis anos, Bernardo se dedica a avaliar o custo–benefício de tratamentos. Cirurgião torácico, trocou o bisturi pelo laptop. Cruza inúmeros dados para responder às secretarias de Saúde se vale a pena comprar as novidades oferecidas pela indústria. Um de seus alvos preferidos são os remédios para reduzir o colesterol. Ele não está sozinho. As drogas mais usadas para esse fim – chamadas estatinas – têm sido motivo de grandes discussões. Uma das mais importantes aconteceu em abril, durante o congresso do American College of Cardiology, realizado em Chicago, Estados Unidos. Análises feitas por diferentes pesquisadores em todo o mundo sugerem que o benefício dos remédios pode ser bem menor que os consumidores imaginam.

O debate foi iniciado por especialistas da chamada medicina baseada em evidências. A área criada nos anos 80 por David Sackett, da Universidade McMaster, no Canadá, é composta de médicos que tentam avaliar se um tratamento faz diferença a partir da análise fria dos estudos publicados. Não estão preocupados com histórias pessoais de sucesso ou insucesso. A ferramenta deles é a estatística. Bernardo aprendeu o novo ofício na Universidade de Oxford. “É importante que a população seja esclarecida sobre os limites da ciência e dos remédios”, diz. “É uma forma de minimizar o marketing malvado que não educa ninguém.”

As estatinas são a maior história de sucesso da indústria farmacêutica. Nenhuma outra categoria rendeu tanto dinheiro. São consumidas por 25 milhões de pessoas no mundo. No ano passado, produziram um faturamento de US$ 27, 8 bilhões. Metade desse valor foi conquistada pelo Lípitor (atorvastatina), da Pfizer. Em faturamento, ele é o primeiro do ranking da indústria. Os brasileiros compram nas farmácias 1 milhão de caixinhas de estatina a cada mês. O mais consumido é o genérico sinvastatina. O número dois é o Lípitor.

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As estatinas são a maior história de sucesso da indústria farmacêutica. Nenhuma outra categoria rendeu tanto dinheiro. Em 2007, foram US$ 27,8 bilhões

A forma agressiva como ele é anunciado ajuda a explicar tamanho sucesso. Nos EUA, a propaganda de remédios vendidos com receita médica pode ser feita diretamente ao consumidor. Isso não ocorre no Brasil, onde as empresas procuram convencer os médicos a receitar seus produtos. Pelas regras americanas, os anúncios de remédio podem aparecer em qualquer parte: TV, revistas, jornais, outdoors. Segundo o anúncio do Lípitor, o remédio reduz em 36% o risco de infarto em pacientes com outros fatores de risco além do colesterol alto (hipertensão, por exemplo). Poucos consumidores prestam atenção ao asterisco e às letras pequenas colocadas no pé da página. Elas informam que, num amplo estudo, 3% dos pacientes que tomaram pílulas sem efeito (placebo) tiveram um infarto. No grupo que tomou Lípitor, o índice foi de cerca de 2%.

O que os números significam? A cada cem pessoas, três no grupo placebo e duas no grupo do remédio tiveram um infarto. O benefício creditado à droga é de um infarto a menos a cada cem pessoas. Ou seja: para evitar um infarto, é preciso que cem pacientes tomem o remédio por mais de três anos. É o que os estatísticos chamam de número necessário para tratar (NNT). Os outros 99 pacientes não tiveram nenhum benefício mensurável.

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WANDERLEY MARQUES BERNARDO
46 anos
O cirurgião torácico trocou o bisturi pelo laptop. Nos últimos seis anos, se dedica a avaliar o custo–benefício de medicamentos como as estatinas. “A população precisa ser informada sobre os limites dos remédios

E de onde vieram os 36%? Isso é o que os especialistas chamam de risco relativo, uma artimanha freqüentemente usada pela indústria para tornar mais atraentes os resultados dos estudos. A conta não é mentirosa, mas não expressa com clareza o real benefício dos remédios. O risco de infarto verificado no grupo que tomou Lípitor (1,94%) é dividido pelo risco observado no grupo placebo (3%). O resultado da divisão é 0,64. O passo seguinte é verificar quanto o remédio evitou que os riscos fossem iguais nos dois grupos. Basta subtrair 0,64 de 1. O resultado é 0,36, ou 36%.

Dizer que o remédio reduz o risco em 36% é mais impactante que explicar que apenas um infarto em cem será evitado, certo? “É verdade que a publicidade usa a cifra mais bombástica”, diz Eurico Correia, gerente-médico de grupo de produtos da Pfizer. “Mas a redução de risco de 1% ou 2% no enorme universo de consumidores significa salvar a vida de muita gente.”

Sim, mas, em nome da transparência que os consumidores merecem, eles precisam saber que poucos terão vantagem. “A maioria está tomando um remédio sem ter nenhuma chance de benefício e sofrendo o risco de enfrentar efeitos colaterais”, disse James M. Wright, professor da University of British Columbia, à revista BusinessWeek. Wright concluiu que as estatinas salvam vidas no grupo de pessoas que já tiveram um infarto. Nessa situação, os remédios realmente evitam a ocorrência de novos infartos e reduzem o risco de morte. Para essas pessoas, as estatinas são fundamentais.

No caso de quem nunca infartou, a situação é diferente. Wright verificou uma grande redução nos níveis de colesterol em homens de meia-idade que tomam estatinas. Mas a queda no número de infartos foi pouco significativa. Apesar dessas evidências, o bombardeio da propaganda pró-estatina é fortíssimo nos EUA. Alguns especialistas chegam a dizer – ainda que em tom de brincadeira – que as estatinas são tão importantes para o combate das doenças cardiovasculares que deveriam ser colocadas na água encanada, como o flúor que evita cáries.

É um evidente exagero. No Brasil, não se escuta esse tipo de comentário, mas poucos médicos têm uma visão crítica em relação aos remédios. A maioria dos pacientes que chega ao consultório com colesterol um pouco acima do normal sai com receita de estatina. Além das principais marcas – Lípitor (atorvastatina) e Crestor (rosuvastatina) –, há vários produtos genéricos (sinvastatina, pravastatina, lovastatina…). Seu benefício na prevenção do primeiro infarto é semelhante ao do Lípitor.

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CÉLIA CARAN
50 anos
A artesã não tinha colesterol extremamente alto, mas o histórico de infarto na família convenceu seu médico a receitar estatina. “Resolvi mudar de vida.” Ela faz alongamento em praças públicas, caminha uma hora por dia e ainda pratica ioga

Um estudo divulgado no congresso do American College of Cardiology gerou mais discussão. Os médicos ouviram os resultados da pesquisa realizada com o remédio Vytorin, fruto da parceria entre as empresas Merck e Schering-Plough. A droga é uma combinação entre uma estatina genérica (sinvastatina) e outro tipo de redutor do colesterol chamado Zetia. O estudo revelou que o Vytorin não é mais eficaz que o produto genérico consumido isoladamente. Segundo os fabricantes, o estudo não é prova de que o Vytorin não funciona. As empresas argumentam que a pesquisa avaliou apenas o efeito do remédio sobre a espessura da artéria carótida – um parâmetro usado para analisar o acúmulo de colesterol e prever o risco de infarto. De fato, o estudo não responde definitivamente se o remédio reduz ou não o risco de infarto ou derrame. Mas as empresas conheciam o resultado do estudo e só o divulgaram quase dois anos depois do término da pesquisa. Enquanto isso, continuaram ganhando muito dinheiro com o Vytorin, que custa três vezes mais que o remédio genérico.

A justificativa dos médicos para tantas prescrições é a necessidade de combater o colesterol ruim (LDL) e aumentar o colesterol bom (HDL). O LDL contribui para a formação de placas de gordura nas artérias (leia a ilustração). Isso prejudica a passagem do sangue e aumenta o risco de infarto e derrame. O HDL age como um detergente nas artérias, ajudando a eliminar o LDL. Os remédios atuam nas duas frentes. Nos últimos anos, as metas de colesterol preconizadas pelas entidades médicas caíram sensivelmente. No início dos anos 90, um LDL de 130 miligramas por decilitro de sangue era considerado normal. Atualmente, é desejável que seja inferior a 100 miligramas por decilitro. Pessoas com outros fatores de risco além do colesterol (tabagismo, hipertensão, diabetes, histórico de infarto na família, obesidade, sedentarismo, nível elevado de triglicérides) devem manter o LDL em 70 miligramas por decilitro. É possível reduzir o colesterol com a adoção de uma vida saudável – atividade física, alimentação baseada em carnes magras, fibras, frutas e cereais integrais. A maioria das pessoas, no entanto, não consegue uma redução tão drástica sem tomar os remédios. Se as metas de colesterol continuarem caindo ano após ano, em breve talvez ninguém escape de tomar as estatinas. E, na maioria dos casos, sem ter benefício.

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Quem toma estatina pode até ficar feliz com a queda dos níveis de colesterol. Mas pode infartar do mesmo jeito. Outros fatores de risco precisam ser controlados

Os céticos desconfiam da isenção dos comitês que preparam as diretrizes americanas. Essas diretrizes acabam sendo adotadas em boa parte do mundo – incluindo o Brasil. “É quase impossível encontrar alguém que acredite firmemente nas estatinas e não tenha nenhum vínculo com a indústria farmacêutica”, afirma Rodney A. Hayward, s professor da Universidade de Michigan. Houve uma grande controvérsia quando foram divulgadas as metas de colesterol de 2004. Oito dos nove especialistas tinham vínculos com a indústria.

“Em quase todas as áreas da medicina, uma mesma droga parece ser mais benéfica nos estudos bancados pela indústria que nas pesquisas financiadas pelos governos”, disse a ÉPOCA Nortin M. Hadler, professor de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Hadler é um crítico da indústria farmacêutica e autor do livro The Last Well Person – How to Stay Well Despite the Health-Care System. Em português, algo como A Última Pessoa Saudável – Como Ficar Bem Apesar do Sistema de Saúde. “É fundamental que a sociedade aprenda o que é o NNT e passe a cobrar essa informação dos médicos e dos fabricantes.”

O NNT de 100 verificado no caso das estatinas é altíssimo quando comparado com o de outros remédios. Para evitar um infarto em hipertensos, é preciso tratar três pacientes com aspirina (NNT de 3). Para evitar uma morte por meningite, é preciso tratar um paciente com dexametasona (NNT de 1). É fundamental considerar o NNT e também o risco de efeitos colaterais. Que vantagem leva o paciente que paga caro por um remédio, não tem benefícios e ainda sofre reações indesejadas?

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FERNANDO LOZANO
48 anos
O publicitário tinha colesterol alto e fumava muito. Infartou aos 43 anos. Não quer correr o risco novamente. Toma estatina, faz esteira e diz ter tentado melhorar a alimentação. Mas é do tipo acelerado. “Vivo em estado de alerta permanente”

“Cerca de 30% dos consumidores de estatinas sofrem algum tipo de efeito colateral, mesmo que seja leve”, diz a cardiologista Suzana Alves da Silva, do Departamento de Pesquisa Clínica do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Podem ocorrer dores musculares, desconfortos gastrintestinais, náuseas, constipações, insônia. Alguns estudos apontaram dificuldades de memória e até câncer, mas isso não foi confirmado. A pior ameaça é uma grave doença muscular (rabdomiólise), que pode levar à insuficiência renal e à morte. É algo raro: afeta uma pessoa a cada 4 milhões. Em 2001, a estatina Lipobay (cerivastatina), da Bayer, foi retirada do mercado devido ao número de pacientes que apresentaram o problema. Nos Estados Unidos, 31 consumidores do remédio morreram.

Nem sempre os médicos mencionam o risco de efeitos colaterais. A ênfase é colocada nos benefícios do remédio, como se ficar sem eles fosse um atentado contra a vida. A artesã Célia Caram, de 50 anos, recebeu sua primeira receita de estatina há oito anos. “O médico de meu marido disse que eu deveria tomar o remédio porque, na menopausa, ficar sem ele é óbito na certa.” A lógica por trás desse raciocínio é que a redução dos níveis de estrógeno (um protetor das artérias) durante a menopausa aumenta o risco de infarto. O colesterol de Célia não era extremamente alto (LDL de 176), mas ela era ex-fumante e seu pai havia morrido de complicações após uma segunda cirurgia de ponte de safena. Esses fatores pesaram na decisão do médico. Talvez Célia pudesse ter tentado baixar o colesterol com exercícios e mudanças na dieta antes de começar a tomar remédios. Mesmo com as pílulas, ela decidiu melhorar seu estilo de vida. Caminha uma hora por dia e depois faz alongamento em praças públicas. Duas vezes por semana, emenda esse exercício com as aulas de ioga. O colesterol baixou para 109, e Célia pensa em parar de tomar o remédio. “A estatina faz parte de um conjunto. Não faz milagre”, diz.

Quem se beneficia

A dificuldade dos médicos é saber quem vai se beneficiar dos remédios. Mesmo que eles conheçam os dados de NNT, a conclusão pode não se aplicar a um paciente específico. E se aquele indivíduo que o doutor tem diante de si for justamente o único felizardo que será salvo do infarto num grupo de cem consumidores? A diferença entre tomar ou não o remédio pode ser a diferença entre a vida e a morte. Nessa dura tarefa, uma das principais ferramentas usadas pelos cardiologistas é a Escala de Framingham. Ela prevê o risco de infarto dentro de dez anos a partir dos fatores de risco existentes (calcule seu risco). É apenas uma pista do que pode acontecer. A regra seguida pela maioria dos cardiologistas é que pessoas com colesterol acima do ideal e vários fatores de risco devem tomar estatina. Quem já infartou também não deve ficar sem o remédio. Nesse caso, a estatina reduz o risco de um novo infarto e de morte em grande parte dos pacientes.

No grupo de pessoas com colesterol alto e que já infartaram, o NNT das estatinas cai para 20. Ou seja: a cada 20 pessoas que tomam o remédio, uma escapa da morte. “Se eu não desse estatina para os pacientes de alto risco, estaria sendo antiético”, diz Raul Dias dos Santos Filho, diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. “Nessas situações, elas realmente evitam mortes.”

O publicitário Fernando Lozano, de 48 anos, infartou em 2003 e não está disposto a arriscar. Tinha colesterol alto e fumava muito. O pai sofreu três infartos, o avô foi morto por um. Lozano toma sinvastatina e está com o colesterol controlado. Faz esteira e diz ter tentado s melhorar a alimentação. É do tipo acelerado, nervoso. “Vivo em estado de alerta permanente”, diz. Acha que o estresse foi a causa do pico de colesterol verificado um mês antes de infartar. Ou a própria razão do infarto. O colesterol pode contribuir para os ataques cardíacos, mas não pode ser encarado como o único inimigo. Muitos pacientes tendem a acreditar que a pílula os libera da necessidade de evitar os outros fatores de risco. A indústria também vende a ilusão de que a simples redução do colesterol livra o consumidor do infarto. Quem toma estatina pode até ficar feliz com a queda dos níveis de colesterol. Mas pode infartar do mesmo jeito. “A indústria não vende uma mentira. É verdade que as estatinas reduzem o colesterol”, diz a cardiologista Suzana. “Mas isso não significa que todos os infartos serão evitados.”

O cirurgião Bernardo concorda. Há dois anos ele não faz exames de colesterol. Acha desproporcional a importância dada ao combate da substância fabricada no fígado e presente em alimentos gordurosos. “Não dosamos colesterol todos os dias. Ele pode estar elevado num dia e não estar em outro. É importante que as pessoas percebam que outros fatores podem ceifar a vida independentemente do controle bioquímico de seu sangue.” O pai de Bernardo morreu de infarto no ano passado. Tinha colesterol normal e ia periodicamente ao cardiologista. Atravessava um período de estresse. Bernardo acredita que isso tenha contribuído para a morte. A descarga constante dos hormônios adrenalina, noradrenalina e cortisol lesa a camada interna dos vasos sanguíneos, chamada endotélio. O desgaste dessa parede costuma gerar aglomerados de gordura e células que entopem as artérias.

Cerca de 20% dos brasileiros têm colesterol alto, segundo um levantamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ele pode não ter a importância que as pessoas imaginam. Mas em alguns pacientes não deve ser desprezado. “Nos principais congressos, há sempre debates acalorados entre o pessoal da medicina baseada em evidências e os cardiologistas clínicos”, afirma Antonio Carlos Chagas, presidente da SBC. “O pesquisador diz que não há vantagem para a maioria das pessoas, e o clínico vê que para o paciente dele há benefício.” Segundo Chagas, a maioria dos pacientes tem três fatores de risco. Alguns têm colesterol ruim alto e colesterol bom baixo. “Podem morrer só por isso.” Ele acredita que a divulgação do NNT pode fazer o público achar que não vale a pena tomar os remédios. Não é o que pretende esta reportagem. A intenção de ÉPOCA é contribuir para que cada indivíduo possa ter consciência dos benefícios, riscos e custos dos tratamentos. Antes de entrar na farmácia, as pessoas precisam saber que boa parte delas vai pagar R$ 80 por mês, estar sujeita a efeitos colaterais e ter uma chance remota de benefício.

Muitos médicos têm pouco conhecimento sobre NNT, risco relativo e outros indicadores do custo–benefício dos tratamentos. Tornam-se presas fáceis da propaganda incisiva da indústria farmacêutica. Antes de receitar estatinas, deveriam apostar nas mudanças de estilo de vida. Nem todos os pacientes conseguem concretizá-las. Mas precisam ter a chance de escolha. Em geral, quem começa a tomar estatina fica com ela a vida inteira. O custo de R$ 80 por mês multiplicado por anos a fio se torna absurdo quando se considera que poucos são os beneficiados. Por outro lado, o preço de não tomar o remédio pode ser a morte, ainda que isso ocorra com a minoria. A decisão é difícil e envolve uma avaliação minuciosa feita por um cardiologista preparado. E, cada vez mais, com a participação de pacientes menos passivos e bem informados. Esse é o resultado do trabalho de provocadores incansáveis como Wanderley Bernardo.

Uma viagem pelas artérias

Os estragos do colesterol, o que fazer para baixá-lo e as limitações do tratamento com remédios

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Fotos: Frederic Jean/ÉPOCA, Daniela Toviansky/ÉPOCA, shutterstock.com
Infográfico: Marco Vergotti e Nilson Cardoso

Fonte: Revista Época, edição 520 de 05/05/2008.

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Resumo capítulo 5, livro “O que seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional…”

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, capítulo CINCO (Doenças do Coração: Uma Moléstia Inflamatória):

O QUE SEU MEDICO NAO SABE SOBRE MEDICINA“(…) as doenças do coração são a causa de morte número um nos Estados Unidos. Como eu outrora, você provavelmente aceita o que tais estatísticas e grande parte da mídia sugerem: o colesterol é a causa das doenças do coração.

Nesse caso, talvez você se impressione, como eu me impressionei, ao decobrir que não é o colesterol o culpado pelas doenças do coração, e sim a inflamação dos vasos sanguineos. Minhas pesquisas revelaram que mais da metade dos pacientes de ataques cardíacos nos Estados Unidos tem níveis normais de colesterol! E adivinhe o que descobri que reduz significativamente ou elimina por completo as inflamações dos vasos sanguineos. Exatamente: os suplementos nutricionais. (…)

E Quanto ao Colesterol?

(…) O colesterol LDL na verdade não é “maligno”. Deus não cometeu um erro quando o criou. O colesterol natural LDL, o tipo que o corpo produz originalmente, é benigno. Na verdade, ele é essencial para formar membranas celulares, outras partes das células e muitos hormônios diferentes de que nosso corpo precisa. Não poderíamos viver sem ele. Na verdade, se não o obtivermos a partir de nossa dieta em quantidades suficientes, nosso corpo o produzirá.

Os problemas só começam quando os radicais livres alteram ou oxidam o colesterol LDL natural. Esse colesterol LDL modificado, sim, é “maligno”. Em uma edição de 1989 do New England Journal of Medicine, o Dr.Daniel Steinberg postulou que se os pacientes portarem antioxidantes adequados para aplacar a oxidação, o colesterol LDL não se tornará maligno. (…)

Estudos feitos em animais durante esta época também apoiavam a teoria do Dr.Steinberg. Os antioxidantes e seus nutrientes de apoio se tornaram a nova esperança na guerra contra nossa matadora número um: as doenças do coração.

A Natureza da Resposta Inflamatória

O colesterol LDL não é o único instigador por trás da inflamação dos vasos sanguineos. Outras causas principais incluem algo chamado de homocisteína e os radicais livres que o fumo, a hipertensão, os alimentos gordurosos e o diabetes causam.

A inflamação que ocorre em nossas artérias é muito similar às reações inflamatórias vistas em outras partes do corpo. (…)

A Verdadeira Prevenção: O Que Dizem as Pesquisas

A boa notícia é que os antioxidantes e seus nutrientes de apoio podem eliminar ou, ao menos, reduzir significativamente todas as causas de inflamação das artérias. Centenas de estudos clínicos sobre as doenças cardíacas constatam benefícios significativos à saúde pelo uso de suplementos nutricionais. (…)

Medicina Nutricional: A Verdadeira Prevenção

Os pesquisadores estão descobrindo que a causa original das doenças do coração é a inflamação resultante do estresse oxidativo. (…) Mas tanto médicos como pesquisadores têm a tendência de tratar os nutrientes básicos como se fossem drogas; ou seja, eles testam a reação do corpo a um nutriente por vez, para conhecerem seu potencial exato. (…) Nestas avaliações isoladas, em não se detectando nenhum benefício significativo à saúde, médicos e pesquisadores hesitam em recomendar aquele nutriente em particular. É isso que gera a polêmica que se vê na mídia e na literatura médica. (…) Mas estão ignorando os importantíssimos efeitos sinérgicos da medicina nutricional. (…)

(…) Para deter o estresse oxidativo, o corpo necessita de antioxidantes em quantidade suficiente para dar conta de todos os radicais livres, e os antioxidantes necessitam de todos os nutrientes de apoio para bem cumprirem sua função. Esses ingredientes atuam em sinergia, na busca pela meta final de derrotar o estresse oxidativo. (…)

Mais uma vez, esses nutrientes funcionam todos juntos para eliminar ou reduzir a inflamação das artérias. O efeito sinérgico de sua suplementação é a chave de tudo. Por isso a nutrição celular é tão fundamental para nossa saúde. (…)”

Retirado do livro: O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, 2004 – Editora M.Books, de Ray D. Strand, M.D. [Comprar o livro]

Resumo Cap 4, livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, capítulo QUATRO:

O QUE SEU MEDICO NAO SABE SOBRE MEDICINA“(…) Apesar de nossos excelentes sistemas defensivos antioxidantes, o inimigo consegue miscuir-se e lesar lipídeos (gorduras), proteínas, paredes celulares, paredes vasculares e mesmo o núcleo de DNA da célula. (…)

Estudos extensivos revelaram que os ‘enfermeiros de triagem’ reconhecem partes danificadas das células em nossos corpos e então reparam. O corpo não remenda simplesmente estas células; na verdade ele as esfacela por inteiro e então as reconstrói a partir do zero. Incrível, não é mesmo? Proteínas danificadas tornam-se proteínas novas em folha, feitas com aminoácidos reciclados. O corpo repara gorduras e DNA alterados de maneira similar. É fundamentel que você saiba que o corpo possui uma notável capacidade inerente de curar a si mesmo. (…)

A melhor defesa contra o desenvolvimento de doenças degenerativas crônicas é proporcionada por nosso próprio corpo, e não pelas drogas que prescrevo. (…)

A Devastação da Guerra

A despeito desse notável sistema de defesa e reparo inerente a nossos corpos, ainda podem ocorrer danos. O estresse oxidativo tem o potencial de sobrepujar todos esses sistemas protetores e causar doenças degenerativas crônicas. Durante períodos de produção particularmente altas de radicais livres, o sistema de defesa e reparo por vir abaixo e não dar conta da quantidade de proteínas, gorduras, membranas celulares e DNAs danificados.

Quando não são devidamente reparadas, as proteínas danificadas podem gerar ainda mais problemas nas funções celulares. Lipídeos danificados geram membranas celulares rijas; o colesterol oxidado com frequência provoca o espessamento das artérias. E cadeias de DNA mal reparadas causam a mutação celular implicanda no câncer e no envelhecimento. (…)

Nossa Melhor Defesa

(…) Nosso suprimento de comida é bastante deficiente em nutrientes de qualidade. Em 1970 os norte-americanos gastaram cerca de US$6 bilhões em fast-food; em 2000, gastaram mais de US$110 bilhões. Os norte-americanos hoje gastam mais em fast-food do que em educação superior, computadores pessoais, programas de software ou carros novos. (…)

Todos estes fatores significam que os radicais livres estão mais ativos e nocivos do que nunca. A medicina nutricional, suplementando nossa dieta com vitaminas e minerais antioxidantes vitais, é o único meio de que dispomos para turbinar o sistema imunológico e de defesa natural de nosso corpo. (…)

Quando provemos os nutrientes corretos nos níveis otimizados de que o corpo necessita para funcionar, ele consegue realizar aquilo que Deus planejou. (…)

Todos morreremos algum dia, a menos que o Senhor retorne primeiro; todavia, como observou meu amigo, eu desejo viver até morrer. (…)

O Equilíbrio é a Meta

O equilíbrio é a chave quando se trata do estresse oxidativo. (…)

O corpo produz alguns desses antioxidantes, mas eles não bastam. Nossa comida, sobretudo as frutas e vegetais, costumavam proporcionar todos os antioxidantes extras de que nosso corpo necessitava. Uma geração ou duas atrás, as pessoas ingeriam alimentos mais saudáveis e frescos, que continham significativamente mais antioxidantes do que a dieta de hoje. Contudo, como resultado do tremendo aumento das toxinas de nosso ambiente de hoje, além dos nutrientes reduzidos que recebemos de nossa comida altamente processada, nossa balança está desequilibrada – em favor das moedas de prata (os radicais livres).

Temos de acrescentar suplementos nutricionais à balança para prover a quantidade de antioxidantes de que nossos corpos precisam. (…)

(…) apresentarei as evidências médicas que mostram de que modo você, como indivíduo, pode melhorar seu sistema de defesa antioxidante seguindo uma dieta sadia, fazendo exercícios moderados e ingerindo suplementos nutricionais de alta qualidade. (…)

Você já compreende o conceito básico do estresse oxidativo. Agora você precisa dar uma olhada mais próxima em cada uma dessas doenças degenerativas crônicas para compreender melhor como prevení-las. (…) Você descobrirá os estupendos resultados de uma nova abordagem da medicina preventiva: a nutrição celular.”

Retirado do livro: O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, 2004 – Editora M.Books, de Ray D. Strand, M.D. [Comprar o livro]

Resumo cap 2, Livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, capítulo DOIS:

O QUE SEU MEDICO NAO SABE SOBRE MEDICINA“(…) Em 1990 os Estados Unidos ficaram em décimo oitavo lugar em expectativa de vida, quando comparado às mesmas vinte e uma nações industrializadas de 40 anos antes. Apesar dos bilhões de dólares que os norte-americanos gastam em serviços de saúde, somos considerados uma das piores nações industrializadas do mundo quando se trata de expectativa de vida. (…)

Mais de 60 milhões de norte-americanos sofrem de algum tipo de doença cardiovascular (doenças do coração e dos vasos sanguineos); mais de 13,6 milhões têm doença arterial coronariana. Embora tenha ocorrido um decréscimo no número de mortes por doenças cardiovasculares nos últimos 25 anos, esta ainda permanece a causa número um de mortes nos Estados Unidos. Há mais de 1,5 milhões de ataques cardíacos por ano e aproximadamente metade deles, ou pouco acima de 700 mil, são fatais. Tristemente, cerca de metade dessas mortes ocorre menos de uma hora após o ataque, muito antes do indivíduo poder chegar ao hospital. (…)

Apesar da imensa quantidade de dinheito despendida em pesquisas e tratamentos para o câncer, este continua sendo a segunda maior causa de mortes nos Estados Unidos. (…)

Acho preocupante a atitude prevalecente entre os pacientes de hoje, que aceitam como inevitável o fato de que desenvolverão uma ou várias dessas doenças degenerativas crônicas. Eles vêem a medicina moderna como sua salvadora, e os medicamentos como sua cura. Tristemente, é só depois de adoecerem que os pacientes percebem como nossos tratamentos são, na verdade, ineficazes. (…)

A comunidade de serviços à saúde orgulha-se da promoção de tratamentos preventivos. Mas você já pensou um pouco sobre esse método? Os médicos, é certo, estimulam os pacientes a fazer exames de rotina para manterem sua saúde. Mas uma olhada mais atenta nas recomendações dos médicos nos leva logo à conclusão de que eles estão apenas tentando detectar doenças antecipadamente. Pense nisso. Como observei, os médicos efetuam rotineiramente exames de papanicolau, mamografias, exames de sangue e exames físicos com o objetivo primário de verificar se já há, em seus pacientes, alguma doença silenciosa. O que foi que se preveniu?

Obviamente, quanto antes essas doenças forem detectadas, melhor será para o paciente. O ponto que quero salientar aqui, contudo, é o pouco tempo e esforço que os médicos ou a comunidade de serviços à saúde, empenham em realmente instruir os pacientes sobre como esses podem proteger sua saúde. Em outras palavras, os médicos estão ocupados demais tratando de doenças para se preocuparem em instruir seus pacientes sobre estilos de vida saudáveis, que ajudem, antes de tudo, a evitar o desenvolvimento de doenças degenarativas.

Se desejarmos chamar algo de preventivo, então creio que esse algo deva, de fato, prevenir alguma coisa. Afirmo enfaticamente que a verdadeira medicina preventiva envolve estimular e apoiar os pacientes na adoção de uma abordagem tríplice: comer saudavelmente, praticar um programa consistente de exercícios e ingerir suplementos nutricionais de alta qualidade. Dar aos pacientes condições para evitar a contração de alguma dessas grandes doenças é a verdadeira prevenção. (…)

Creio que o Dr.Kenneth Cooper seja um dos principais médicos na área da medicina preventiva. Ele cunhou o termo aeróbica e deu início à febre dos exercícios no início dos anos 70.

Hoje, todos assumimos como verdade sagrada a que se teve de medicamente provado há apenas três décadas. Lembro-me de médicos discutindo em reuniões na época sobre se era correto incentivar os pacientes a fazer exercícios. O Dr.Cooper perseverou e continuou a divulgar os benefícios que os exercícios podiam trazer à saúde dos pacientes. No final dos anos 70, a maioria dos médicos passou a concordar com ele e a recomendar um programa modesto de exercícios. (…)

Os benefícios mais destacados eram:

  • perda de peso;
  • baixa pressão sanguinea;
  • ossos mais fortes e menor risco de osteoporose;
  • níveis elevados do colesterol “benigno” HDL;
  • níveis reduzidos do colestetol “maligno” LDL;
  • níveis reduzidos de triglicérides (gorduras);
  • aumento da força e da coordenação;
  • maior sensibilidade à insulina;
  • melhora do sistema imunológico; e
  • aumento geral na sensação de bem-estar.

E quanto aos hábitos alimentares? Os médicos sabem também que os pacientes que seguem uma dieta de poucas gorduras, que inclua aos menos sete doses diárias de frutas e vegetais, gozam de maiores benefícios à saúde. Estes incluem:

  • perda de peso;
  • redução do risco de diabetes;
  • redução do risco de doenças do coração;
  • redução do risco de quase todas as formas de câncer;
  • redução do risco de pressão alta;
  • redução do risco de colesterol elevado;
  • melhoras no sistema imunológico;
  • maior sensibilidade à insulina; e
  • maior energia e capacidade de concentração.

Tendo pesquisado a literatura médica nos últimos 7 anos, acredito firmemente que há benefícios significativos para a saúde na ingestão de suplementos nutricionais de alta qualidade, mesmo que você goze de excelente saúde. Para dizer de forma simples, os benefícios à saúde dos suplementos nutricionais são:

  • um sistema imunológico fortalecido;
  • um sistema de defesa antioxidante fortalecido;
  • redução do risco de doença arterial coronariana;
  • redução do risco de AVCs;
  • redução do risco de câncer;
  • redução do risco de artrite, degeneração macular e catarata;
  • possibilidades de redução do risco do mal Alzheimer, mal de Parkinson, da asma, da doença pulmonar obstrutiva e de outras doenças degenerativas crônicas; e
  • possibilidades de melhorar e muito o curso clínico de diversas doenças degenerativas crônicas.

Pacientes que iniciarem um programa consistente de exercícios, com uma dieta saudável, e tomarem suplementos podem mesmo melhorar de pressão alta, do diabetes e do colesterol elevado a ponto de dispensarem a ingestão de certos medicamentos? A literatura médica certamente sustenta esta possibilidade. (…)

Na verdade, porém, a maioria dos médicos, em seus consultórios, só fala de mudanças no estilo de vida da boca para fora, no momento mesmo em que estão preenchendo receitas. Perceba que os médicos costumam pressupor que a maioria dos pacientes jamais mudará seu estilo de vida e que a única salvação realista são as drogas que podem receitar. (…)

Todos conhecem os benefícios à saúde de um bom programa de exercícios e de uma dieta saudável. Poucos, contudo (e especialmente os médicos), têm algum conhecimento dos benefícios à saúde trazidos pela ingestão de suplementos nutricionais de alta qualidade. Já disse que fui um desses médicos desinformados. Mas incontáveis estudos provam que a tríade de uma dieta saudável, de um bom programa de exercícios e de suplementos nutricionais de alta qualidade é a melhor maneira de proteger sua saúde. É também a melhor maneira de tentar recuperar sua saúde após tê-la perdido. (…)

Você está disposto a fazer mudanças necessárias em sua vida para assegurar sua saúde? Acredito que uma vida física plena e abundante não tenha de começar a declinar após os 40 anos. Acredito que cada ano de sua vida pode ser o melhor de todos. É hora de parar de viver pouco e morrer muito!”

Retirado do livro: O que o seu Médico não sabe sobre Medicina Nutricional pode estar Matando Você”, 2004 – Editora M.Books, de Ray D. Strand, M.D. [Comprar o livro]

Ômega-3 e a Nutrição Inteligente

Os esquimós da Groenlândia e os americanos nativos do Alasca, conhecidos por se alimentarem com carne de foca e baleia, muito ricas em gordura, sempre foram pouco afetados por doenças do coração. No Brasil, 35% das mortes em adultos são decorrentes de doenças cardiovasculares e câncer. Nos Estados Unidos existem atualmente mais de 60 milhões de pessoas portadoras de doenças cardíacas.

A resposta para esse enigma encontra-se na nutrição e no estilo de vida. Os povos que vivem nas regiões frias, além de praticarem atividade física, consomem peixes e frutos do mar que são muito pobres em gorduras saturadas e ricos num ácido graxo polinsaturado de cadeia longa, chamado ômega-3.

O ômega-3, encontrado no óleo de certos peixes, ajuda a reduzir a gordura total no sangue, reduzindo o LDL (mau colesterol) e aumentando os níveis de HDL (bom colesterol).

Além disso, auxilia na redução dos níveis de triglicérides (gorduras) na circulação sanguínea e participa de mecanismos de p roteção ao endotélio, as células que revestem as paredes das veias e artérias.

Um estudo da Universidade de Tsukuba, no Japão, mostrou que a produção de óxido nítrico, um potente dilatador dos vasos sangüíneos, aumenta poucos minutos após a ingestão de ômega-3.

A soma dessas ações leva a uma melhora na fluidez do sangue, ajudando a regular a sua coagulação, reduzindo a pressão arterial e diminuindo assim, o risco de ataques do coração e derrames cerebrais.

Porém não restam dúvidas de que esses efeitos positivos na saúde somente serão evidenciados quando acompanhados por uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável.

Na natureza, as melhores fontes de ômega-3 são os peixes marinhos de águas frias, principalmente o salmão, bacalhau, arenque, anchovas, sardinhas, além de outros frutos do mar, como lagostas e camarão. Nozes e alguns óleos vegetais também apresentam bons níveis desse ácido graxo.

No dia-a-dia agitado que vivemos no século XXI, fica muito difícil incluirmos esses peixes ricos em ômega-3 na nossa dieta pois, além de caros, são difíceis de encontrar e não fazem parte do cardápio típico do brasileiro.

Para receber um benefício apreciável na nossa saúde, precisaríamos ingerir esses alimentos no mínimo 3 vezes por semana, segundo estudo publicado pelo Jornal da Associação Médica Americana.

Além disso, muitas pessoas diminuem drasticamente a ingestão de gorduras quando querem controlar seu peso, privando o organismo dos ácidos graxos essenciais.

Assim, o uso de suplementos de ômega-3 é uma maneira inteligente de complementar as necessidades diárias desse nutriente tão importante.

Use a cabeça e proteja seu coração!

Sucesso e saúde para todos.

Autor: Dr.Nataniel Viunisk, Médico nutrólogo.

Fonte: Revista Today – edição 87 – outubro/2005.