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Resumo cap 16, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 16 (Para Crianças Mais Felizes e Bondosas):

NUTRICAO CEREBRAL

“Chegar ao mundo passando por um gestação tranquila, em que houve boa disponibilidade de nutrientes, é algo que aumenta as chances de felicidade de qualquer ser humano. Entretanto, como a evolução é o grande propósito da natureza, a infância, primeira etapa da vida, oferece uma oportunidade única de reparar eventuais danos da gravidez, para dar origem a uma existência feliz e criativa. (…)

A recuperação de danos é realizada, principalmente durante o sono do bebê e por isso os recém-nascidos precisam dormir tanto. (…)

Hoje se sabe que o metabolismo de uma criança é seis vezes mais rápido que o de um adulto. Essa descoberta, inclusive, foi a que deu o Prêmio Nobel ao cientista Pierre Le Compte du Nouy (…). Esse dado deixa clara a vulnerabilidade da saúde infantil e alerta para diversos perigos, inclusive o uso de medicamentos. Infelizmente, vem-se tornando comum a utilização abusiva de antibióticos e antiinflamatórios em crianças.

Quase não se usa na pediatria básica dar lactobacilos para corrigir a flora intestinal das crianças e pouco se considera a importância do zinco para a formação do sistema imunológico e para a absorção e fixação das vitaminas, especialmente a vitamina A, que promove a resistência da pele e das mucosas. Por isso é tão comum que crianças apresentem infecções constantes, como as de ouvido. (…)

Quando se utilizam alimentos no tratamento do autismo – e infelizmente poucos centros psiquiátricos o fazem atualemente –, o que se considera principalmente é a depressão imunológica provocada pela carência de zinco, que é agravada pelo excesso de carboidratos refinados. Como se sabe, esses dois fatores fazem proliferar tanto a Candida albicans como a Clostridium difficile, cujas toxinas estão envolvidas também em outros distúrbios infantis, como o distúrbio do déficit de atenção (DDA). (…)

Como o autismo, o DDA vem aumentando significativamente em crianças nas últimas décadas. E as causas desse distúrbio infantil certamente podem estar nas questões alimentares, mais especificamente no aumento da permeabilidade intestinal e nas proteínas não digeridas do glúten e da caseína. Quando são absorvidas pelo intestino e passam para a corrente sanguinea, as proteínas mal digeridas do leite e do trigo podem produzir no liquor do cérebro derivados de substâncias estimulantes. É o que provoca a agitação típica do distúrbio do déficit de atenção (DDA) e a hiperatividade. (…)

É muito importante o fato de que os distúrbios mentais mais comuns da infância começam a ser relacionados com erros alimentares, e já existem diversas pesquisas provando que a utilização de smart nutrients pode produzir excelentes resultados na reversão de muitos desses distúrbios. No que diz respeito ao DDA, comprovou-se que o uso de ômega 3 associado à restrição de carboidratos refinados, corantes, chocolate, cafeína e gorduras trans e hidrogenadas, que fornecem excesso de ômega 6, pode dar ótimos resultados. (…)

Existe uma relação na incidência da deficiência de ômega 3 como o DDA na infância, a esquizofrenia na adolescência, a depressão na vida adulta e a doença de Alzheimer na velhice. (…)

A verdade é que à medida que aumenta na dieta infantil a quantidade de substâncias que podem gerar uma alteração neurológica, também crescem as chances de disfunções sérias no presente e no futuro. Quanto mais perde energia no lobo frontal, por falta de nutrientes, mais dificuldade a criança terá para adquirir conhecimentos e assimilar as lições que a vida oferece. (…)

Um outro cuidado fundamental que se deve ter com a saúde infantil diz respeito aos metais tóxicos. (…)

O mercúrio, por exemplo, que ainda aparece na fórmula de muitos agrotóxicos utilizados no Brasil, bloqueia as bombas injetoras que promovem a entrada da vitamina B12 no cérebro, o que pode causar distúrbios psiquiátricos graves também em crianças. Esse é um dado pouco difundido porque muitas pessoas psicóticas costumam apresentar níveis de B12 normais no sangue. Entretanto, quando a dosagem é realizada no liquor, os níveis da vitamina estão frequentemente baixos. O mesmo ocorre com o ácido fólico.

Já o chumbo, comprovadamente, causa hiperatividade e DDA. Tal fato é levado tão a sério que em alguns países crianças em idade escolar devem fazer testes para verificar se estão ou não contaminadas por chumbo. Infelizmente essa prática não existe entre nós e muitas marcas de tintas ainda contêm chumbo em sua composição. Também verificou-se a presença do metal na tinta de brinquedos provenientes da China.

Em alguns países, como os Estados Unidos, o cuidado com a contaminação por chumbo é tão grande que existe uma fiscalização rigorosa de solos para plantio, já que no passado a gasolina continha chumbo e muitas terras próximas a estrada estão hoje impregnadas com o metal. Também não se admite a construção de parques infantis em áreas contaminadas com chumbo. (…)

A relação entre as doenças modernas com os fatores nutricionais é bastante evidente e as poucas civilizações que ainda se alimentam de forma natural a reforçam. (…)

Um componente da alimentação infantil que merece maiores considerações é certamente o açúcar refinado, pois é grave a permissividade com que ele é utilizado. (…) Como vimos, oa açúcar refinado faz perder cromo e ainda zinco pela urina, tornando as crianças mais predispostas à depressão e a problemas imunológicos, entre outros. (…)

A criança ainda não conhece o sabor dos alimentos e por isso a introdução de açúcar é totalmente desnecessária, assim como o sal nas comidas salgadas. É preciso dar às crianças a oportunidade de experimentar o sabor natural dos alimentos. (…)

Quanto melhor a criança se alimenta, maior a disponibilidade de nutrientes benéficos para seu cérebro. Mais ela tem inteligência emocional, mais ela é criativa, bondosa e mais cedo assimila as vantagens da colaboração e da amorosidade sobre a competividade ou a alienação.

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]

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Resumo cap 13, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 13 (A Abordagem Ortossistêmica):

NUTRICAO CEREBRAL

“O advento dos Smart Nutrients vem determinando mudanças importantes na forma de tratar a saúde mental. (…) Não há sucesso no tratamento de questões isoladas, pois é preciso considerar todos os aspectos biológicos, sociais e psicológicos que podem determinar a saúde ou a doença. (…)

O que se constata é que aqueles que buscam a solução apenas para a obesidade não conseguem tratar sequer deste distúrbio, e por isso sofrem com o chamado efeito ioiô. Tudo é sistêmico no universo, e no que se refere à fome compulsiva, há muito mais o que considerar nesses casos. (…)

O modelo ortossistêmico representa uma forma mais abrangente de tratar quem sofre porque coloca sua individualidade acima do seu distúrbio, abrindo mão das estratégias puramente medicamentosas que não consideram as diferentes dimensões do sofrimento. (…)

O Papel Fundamental do Estresse

Dentro da abordagem ortossistêmica, é muito importante distinguir o tipo de estresse desencadeante de um distúrbio da mente. (…)

Um bom exemplo são as crises nos relacionamentos afetivos. Se considerarmos que melhorar a relacionamento de um casal nada mais é do que melhorar a sua comunicação, a solução dos conflitos se torna mais simples quando se administra a transparência que existe sobre o jogo das necessidades e recursos de duas pessoas e suas correlações dentro da união. (…)

O casamento é um exemplo interessantíssimo da dinâmica que surge a partir da interação entre diferentes necessidades e recursos, e está claro que quanto mais emocionalmente inteligentes, ou seja, quanto mais bem nutridos do ponto de vista cerebral, mais os parceiros estarão preparados para evoluir e chegar juntos à felicidade. (…)

Seja nas relações pessoais, no trabalho ou em qualquer outra área de interação humana, será cada vez mais importante a abordagem ortossistêmica dos indivíduos, assim como o conhecimento sobre os smart nutrients, que recuperam o potencial do cérebro e impedem o bloqueio da inteligência emocional. (…)

Os Exames Essenciais

(…) Em função dos interesses da indústria farmacêutica, o mineralograma vem sendo esporadicamente contestado através de notícias que proclamam sua inutilidade, que vez por outra são divulgadas nos meios de comunicação. (…)

Existem diversos casos em que um mineralograma faz a diferença. Um bem simples é a acidez estomacal, mal que atinge um número imenso de pessoas, a maioria após os 50 anos de idade. O problema na verdade acontece porque a carência de alguns minerais diminui no estômago a produção de ácido clorídrico, para digerir os alimentos e matar os germes oportunistas. Sem a barreira da acidez, muitos deles, principalmente o Helycobacter pilori, proliferam na região estomacal.

O que acontece normalmente é as pessoas começam logo a tomar antiácidos quando sentem acidez estomacal, o que não resolve, já que essa forma de úlcera é um efeito da falta de ácido clorídrico, não do excesso. (…)

Um outro problema que devemos citar é o fato de muitos antiácidos conterem em suas fórmulas o alumínio, mineral que pode causar sérios prejuízos à saúde. (…) Quanto ao antibiótico, este acaba por destruir a flora útil do intestino, aumentando a chance para os germes oportunistas.

Para utilizarmos um exemplo dentro do tema central deste livro, que é a saúde mental, a mesma falta de minerais pode fazer proliferar no intestino um germe chamado Clostridium difficile, que secreta uma toxina capaz de inibir a síntese de serotonina no cérebro. A estratégia do germe é provocar em seu hospedeiro a necessidade de comer carboidratos simples, de rápida absorção, que são seu principal alimento. (…)

O Clostridium difficile também inibe a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e aumenta a proliferação da Candida albicans, que é um fungo envolvido na depressão. Na verdade, a falta de minerais pode provocar distúrbios mentais por várias vias… (…)

Um exemplo claro disso é que nos casos de Alzheimer é freqüente surgir, vinte anos antes, um déficit de betacaroteno e de vitamina C. (…)

É claro que o tempo de assimilação de novos conceitos na medicina é muito longo e hoje, em função dos interesses da indústria de medicamentos, há um grande trabalho de manipulação da opinião pública para negar a utilidade das estratégias mais naturais de cuidar da saúde, que não determinam formas de dependência. (…)

No que diz respeito aos suplementos vitamínicos, que também são smart nutrients, as quantidades terapêuticas constituem uma polêmica eterna. É inquestionável a afirmação de que uma alimentação rica e saudável previne doenças, mas é ingênuo pensar que alguns distúrbios mentais podem ser solucionados apenas com uma excelente dieta, embora seja fundamental para a desintoxicação do organismo e restabelecimento do sistema.

Quando chegam ao estresse oxidativo, as pessoas já atingiram um grau de carência nutricional que apenas poderá ser corrigido com doses concentradas de nutrientes que recuperarão a funcionalidade do cérebro. (…)

O que acontece é que, quando buscam o tratamento, alguns pacientes já estão com as “bolas de neve” da desnutrição cerebral muito grandes. E se começam a tomar remédios, sem corrigir primeiro a desnutrição, as bolas de neve tendem a ficar maiores e mais complexas. O paciente perde o que se chama de janela de oportunidade terapêutica preventiva e heurística. Joga fora a oportunidade de retomar sua evolução. (…)

Esta é uma prova irrefutável de que o uso dos medicamentos sintéticos abafa os sintomas, mas não corrige as causas que formam uma espécie de espiral de desnutrição da célula, do cérebro e, pelos seus metacircuitos, fazem com que o indivíduo se transforme em um agente da destruição social.

Cérebro-intestino: uma conexão vital

Seja por meio de uma alimentação equilibrada, seja por meio de suplementos, nenhum nutriente chega ao cérebro antes de ser processado pelo sistema digestivo. (…)

Para que um nutriente chegue ao ambiente cerebral e lá exerça suas funções, é muito importante que o sistema gastrintestinal esteja em boas condições. E para que o equilíbrio deste aconteça, uma nutrição adequada é o ponto-chave. (…)

Essa é uma das razões pelas quais o intestino tem passado por uma grande revisão científica nos últimos anos, sendo hoje considerado um órgão de estreita ligação com o cérebro.

Com cerca de 100 milhões de neurônios, o intestino auxilia o cérebro a sintetizar substâncias importantes. (…) Sabe-se hoje que cerca de 90% da serotonina que temos em nosso organismo são produzidos não no cérebro, mas no intestino.

O intestino é responsável por 80% da capacidade imune do organismo e é também um grande produtor de neurotrofinas (…).

É muito importante preservar a capacidade de absorção do intestino, o que significa manter íntegras suas vilosidades. (…) Além da alimentação deficiente e intoxicante como a atual, o uso prolongado de antibióticos, anticoncepcionais, antiinflamatórios e corticóides pode comprometer a integridade das vilosidades intestinais, fazendo com que o órgão perca sua capacidade natural de selecionar o que pode ser absorvido ou não pelo organismo. (…)

Com suas paredes mais permeáveis, o intestino permitirá a passagem para corrente sanguínea de substâncias indesejáveis, como as perigosas toxinas secretadas pela parcela nociva de microorganismos que habitam o intestino – são cerca de 50 trilhões delas. Muitas dessas toxinas desenvolvem processos depressivos no organismo, para criar a necessidade da ingestão de açúcares, como é o caso da Candida albicans e do Clostridium defficile.

Outro grande problema do aumento da permeabilidade intestinal é que o organismo passa a absorver proteínas ainda não devidamente digeridas, dando origens às alergias e intolerâncias alimentares. (…)

A verdade é que muitas pessoas que hoje sofrem com a depressão e outros distúrbios mentais com certeza poderiam obter grande melhora se investigassem a integridade de seu sistema gastrintestinal. A infelicidade pode começar por esse ponto.”

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]