Posts Tagged ‘açúcar’

Açúcar branco – por que não usá-lo?

Por milhares de anos, mel e frutas frescas ou secas satisfaziam o desejo do homem por doces. Estes alimentos naturais contêm o açúcar não só, mas também sais minerais, vitaminas, enzimas, proteínas, água, etc, mas hoje em dia é o açúcar refinado cristalizado substituiu as fontes naturais de açúcar. Na indústria alimentar é utilizado em grandes quantidades. O açúcar branco é transformado em uma espécie de droga. Mais de 90% das pessoas têm desenvolvido um vício de açúcar de alguma forma. O açúcar é a composição química da sacarose pura – hidratos de carbono simples, surgiu como uma combinação de glicose (dextrose) e frutose (açúcar da fruta). Derivado da cana-de-açúcar ou beterraba. Embora o processo de obtenção seja muito diferentes, o produto final é idêntico.

História do açúcar

Acredita-se que a cana-de-açúcar, pela primeira vez foi utilizada na Polinésia, de onde se espalhou para a Índia.  Civilização egípcia, grega e romana usaram o açúcar em pequenas quantidades. O processamento de cana-de-açúcar foi mantido como um segredo na Pérsia antiga por causa dos grandes lucros, até a derrota para os árabes no século VII. Nas Cruzadas, foram os conquistadores que trouxeram para a Europa. Em Londres, no início do século 14, era vendido por US $ 100 o quilo para os padrões atuais e comprado em farmácias (como uma droga ou medicamento).

O consumo anual de hoje de açúcar atingiu 120 milhões de toneladas, e aumenta em 2 milhões de toneladas a cada ano. Os maiores produtores são a Índia e a União Europeia. O norte-americano usa em média mais de 50 quilos de açúcar por ano.

Viciados em açúcar

Baseado em décadas de numerosos estudos do açúcar branco, chegou-se a conclusão de que é uma substância química capaz de criar uma verdadeira dependência, a níveis semelhantes ao da nicotina, álcool e café. O açúcar branco não beneficia o corpo e não tem nenhum valor nutritivo, é realmente prejudicial. Ele é um verdadeiro risco para a saúde humana, porque é uma fonte direta ou indireta de doenças, tais como a cárie dentária, a arteriosclerose, a perda de cálcio nos ossos, enfarte, diabetes, obesidade, acne, úlcera do estômago, o colesterol elevado, problemas circulatórios, hipersensibilidade , degeneração do fígado, a tensão nervosa, etc. Suspeita-se que cerca de 80% das doenças de hoje tenham relação com o uso excessivo do açúcar branco.

Muitos vão perguntar como este derivado da cana de açúcar pode prejudicar a saúde humana. A resposta é simples. A substância que hoje conhecemos como o açúcar tem muito pouco a ver com a planta. É sacarose pura privada de impurezas, vitaminas, minerais, enzimas e todos os elementos vitais. É uma substância química completamente artificial. Ao contrário de outros alimentos no nosso corpo, a sacarose é completamente convertida em energia, sem a produção de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. Isto significa que são apenas calorias vazias. Porém, o maior problema é que a digestão do açúcar consume fontes de vitaminas, aminoácidos e minerais.

Estudos publicados mostraram que a utilização moderada de açúcar cria uma base para o desenvolvimento de muitas doenças da civilização moderna. Mesmo população inata da África e da Ásia com o açúcar branco desenvolveram a mesma doença que os consumidores ocidentais de açúcar branco. Outros estudos na África e na Índia mostram que a diabetes é uma doença desconhecida em aldeias que não utilizam carboidratos refinados. O açúcar branco é particularmente prejudicial para as crianças, os idosos e as mulheres, porque priva o corpo de cálcio e minerais, particularmente crómio. Isto acontece porque a sacarose liga-se com o cálcio no sangue. O composto resultante é inutilizável e é retirada do corpo através do sistema digestivo e renal. Também “rouba” vitaminas e enzimas que são necessárias para a sua digestão.

O que acontece no corpo quando ingerimos açúcar

Estudos detalhados mostram que cada vez que você ingere sacarose, perde substâncias orgânicas valiosas necessários para a sua digestão, tais como aminoácidos (triptofano e metionina), vitamina B (principalmente B5, B6 e B12) e minerais. Portanto, é seguro dizer que o açúcar branco é “ladrão” no corpo. Especificamente a sacarose, aumenta rapidamente os níveis de glicose no sangue. Isso força o pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina, a fim de manter a homeostase do corpo (o equilíbrio natural necessário para o organismo) e reduzir o nível de açúcar no sangue. Se você costuma consumir grandes quantidades de açúcar, o pâncreas está acostumado a secretar grandes quantidades de insulina. Isto cria uma dependência química no organismo que requer quantidades cada vez maiores de açúcar, a fim de manter o equilíbrio artificial criado recentemente. Então a pessoa torna-se ansiosa e vai em busca de algo doce para comer.

Transformação da Cana de Açúcar

É importante compreender o modo como as fábricas de açúcar transformam a planta da cana de açúcar num produto com tais efeitos indesejáveis ​​sobre os seres humanos, com a sacarose. O caldo de cana, uma vez extraído, é clareado com cal e dióxido de enxofre. Em seguida, aquece-se a 100°C e filtro-se com ácido fosfórico, que precipita as impurezas sólidas. Esse suco é concentrado e espesso. Ele é 99% puro melaço de sacarose de açúcar (açucar I).  Descansa para uma purificação e obtém-se 97% de pureza de sacarose (açúcar II). Os restos da última etapa, pela terceira vez são cozidos, a fim de obter 94% de pureza de sacarose (açúcar III). O açúcar resultante após a terceira etapa é vendido como açúcar branco, mas está muito longe de (ser) natural e do produto inicial. É um subproduto cheio de sujeira e resíduos industriais.

Açúcar mascavo é melhor!

Açúcar marrom com aparência de melaço. Este açúcar é lavado apenas com água, e é composto de sulfito de cálcio, sais de enxofre, hidrosulfito de sódio, ácido fosfórico, carbonato de sódio, etc.
Assim, açúcar mascavo é um alimento integral e natural. No entanto, existem processos que podem manter os ingredientes de alta qualidade do açúcar. Caldo de cana pode ser concentrado sem ferver e fermentar, e, assim, obter um verdadeiro açúcar integral. Este é um processo introduzido pelos jesuítas, e é usado no sul do Brasil. Agora recomeça a florescer um pouco este processo com os produtores de açúcar, preservando todos os seus valiosos ingredientes.

fonte original: http://atma.hr/bijeli-secer-zasto-ga-ne-koristiti/

Anúncios

Doce veneno

O consumo excessivo de açúcar pode aumentar o risco de depressão e estresse, além de prejudicar conexões neurológicas

“Na mesma época em que os europeus desembarcaram na América, uma mania alimentar invadia a Inglaterra e um sabor exótico, maravilhosamente doce, chegava das Índias Orientais: o açúcar. Os ingleses temperavam quase tudo com o novo produto, até mesmo batatas, carnes, ovos e vinho. A moda tomou conta do país rapidamente. Se pudesse, muita gente comeria açúcar puro na colher. A maioria, porém, não podia, já que o item era bastante caro.  A paixão, aliás, fez muitos ricos ficarem com dentes escuros e podres. E os pobres, que não tinham acesso a tanto açúcar, chegavam a ponto de pintar os dentes de preto.

Uma moda que leva as pessoas a ter dentes estragados – ou a falsificá-los – parece um tanto bizarra quando vista pela perspectiva do século 21. Mas o problema é que o frisson açucareiro segue o mesmo percurso – ou se mostra até mais preocupante – desde os dias do rei Henrique 8o. O consumo de açúcar pelos britânicos na época era de aproximadamente 9 quilos por pessoa por ano, enquanto hoje é de quase 40 quilos. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior: são quase 60,5 quilos por pessoa, anualmente. E aqui no Brasil, 51 quilos anuais – mais de 4 quilos por mês.

A moda do dente podre passou, em grande parte, por mérito dos dentistas, mas o uso de açúcar continua preocupante, já que está comprovadamente associado a problemas tão visíveis quanto dentes escurecidos: são registradas 35 milhões de mortes anuais no mundo relacionadas à obesidade ou decorrentes do consumo exagerado do produto e outros nutrientes que frequentemente o acompanham, como as gorduras. E é no mais inesperado dos produtos que se encontra uma quantidade estrondosa de açúcar: as bebidas. Refrigerantes, chás e sucos enlatados ou vendidos em caixas são responsáveis por pelo menos 180 mil mortes anuais no planeta, segundo o estudo The global burden of disease, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O custo para a saúde pública no Brasil também é estrondoso: quase R$ 500 milhões por ano, segundo estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB).

Tudo isso é revelado com transparência no documentário brasileiro Muito além do peso, da Maria Farinha Filmes e do Instituto Alana. Recentemente lançado, pode ser assistido gratuitamente na internet (www.muitoalemdopeso.com.br). O filme devia se tornar, instantaneamente, material didático em todas as escolas do Brasil. Em 80 minutos, o espectador se depara com o problema de forma direta e contundente: ao lado das latinhas de refrigerante, caixinhas de doces e de suco, são colocados sacos com a quantidade de açúcar encontrada dentro das respectivas embalagens. É difícil acreditar no que vemos: uma lata pequena de bebida contém sete saquinhos de açúcar. O consumo de uma lata por dia em um mês corresponde a 1,1 quilo de açúcar, o que encheria quase cinco latinhas só com açúcar.

“DISFARCE” DE CARBOIDRATO
Pesquisadores estimam que, diariamente, uma criança consuma, em média, 250 calorias extras, provenientes desses líquidos açucarados. O excesso constante pode ocasionar danos irreparáveis à saúde, mesmo em crianças de apenas 4 anos, contribuindo para o aumento significativo da incidência de diabetes tipo 2 nos primeiros anos de vida. Estima-se hoje que 33,5% das crianças brasileiras sofram de sobrepeso ou obesidade – e de cada cinco meninas e meninos obesos, quatro manterão essa condição na idade adulta. Para o endocrinologista Amélio de Godoy Matos, o quadro está diretamente relacionado a doenças cardiovasculares, a maior causa de mortalidade no mundo. E mais: há associações com depressão, estresse e até mesmo alguns tipos de câncer.

A endocrinologista Danielle Macellaro Andreoni, da Universidade de São Paulo (USP), cita sua experiência com uma paciente de 62 kg. Ela sofre de hipertensão, diabetes tipo 2, apresenta ainda colesterol, ácido úrico e triglicérides elevados. À primeira vista, esse parece ser o quadro de uma pessoa de 60 anos. Entretanto, surpreendentemente, tem apenas 9. A médica teme que situações como essa se tornem cada vez mais comuns, já que, atualmente, o uso de açúcar aumenta exponencialmente entre crianças e adolescentes, principalmente com o consumo extravagante de bebidas açucaradas. A estratégia de propaganda é perversa: as embalagens não são claras, e quando aparece, o açúcar vem descrito como “carboidrato”, palavra desconhecida da maioria da população.

Outro agravante é o fato de que mães e pais pouco informados oferecem a seus filhos essas bebidas açucaradas muito cedo: estima-se que 56% dos bebês brasileiros hoje consomem o líquido doce dessas latinhas em suas mamadeiras antes mesmo de completar o primeiro ano de vida. E, enquanto crescem, nas poucas horas diárias que passam na escola, não aprendem uma das coisas mais básicas e fundamentais: noções de nutrição saudável.

Além disso, nos programas de televisão aos quais assistem por pelo menos cinco horas diárias, as crianças são incentivadas a desejar compulsivamente os doces venenos, disseminados na categoria junk food. O termo foi criado na década de 70 por Michael Jacobson, então diretor do Center for Science in the Public Interest. A expressão junk food está associada a alimentos com alto teor calórico, ricos em açúcar, sal, gordura saturada e aditivos, como glutamato monossódico e tartrazina – mas com níveis reduzidos de nutrientes saudáveis. Oferecem poucas proteínas, vitaminas e fibras dietéticas. Esses “alimentos-lixo” são propagandeados pelos programas de TV como fonte da felicidade, e para vender essa ideia são utilizados efeitos especiais, alta tecnologia e personagens queridos da garotada. Os roteiros são elaborados para capturar a atenção dos pequeninos, seduzidos por alimentos e bebidas acompanhados de brinquedos e bugigangas – a isca perfeita.

Como enfatiza o documentário Muito além do peso, “criança é cidadão e tem o direito a ser informada e a escolher de acordo com as informações que recebe”. E, de fato, estudos neurocientíficos recentes mostram que essa história trágica pode começar a mudar no processo de escolha das próprias crianças. Entretanto, este é apenas o capítulo inicial, já que os efeitos dos produtos açucarados vão muito além do processo de escolha. Do ponto de vista neurológico, a ação do produto contribui para a modificação da atividade de várias estruturas cerebrais, e o resultado pode ser o prejuízo da capacidade de tomar decisões. A questão é tão séria que, do ponto de vista da neurociência, o açúcar pode ser considerado uma droga, já que é capaz de criar dependência.

COM APOIO DAS LEIS
Para começar, o cérebro, com cerca de 2% do peso total de nosso corpo, recebe aproximadamente 15% do volume de sangue bombeado pelo coração e usa principalmente a glicose como molécula energética. Assim, consome 25% da glicose disponível em todo o organismo. Ou seja: o mais sofisticado dos órgãos utiliza açúcar como fonte de energia – e o capta rapidamente. Mas ao chegar ao cérebro, o açúcar ativa as mesmas regiões que as drogas legalmente proibidas, como cocaína, e outras legalizadas, como o álcool. As principais estruturas neurológicas envolvidas nesse processo são o hipotálamo, o estriado dorsal e áreas do córtex pré-frontal. Essas regiões formam uma rede já muito bem conhecida pela ciência, ligada aos mecanismos de satisfação: o circuito dopaminérgico mesocortical. Trata-se de uma via cerebral que libera principalmente o neurotransmissor dopamina, importante na sensação de prazer. Quando essas áreas são ativadas frequentemente por hábitos como o consumo diário e excessivo de açúcar, desencadeia-se um círculo vicioso quase impossível de parar. É possível observar isso no comportamento de ratos de laboratórios mundo afora: durante os testes, os animais chegam a consumir açúcar de forma mais compulsiva que cocaína.

Para a psiquiatria, a dependência de drogas é definida como uma situação em que ocorrem quatro ou mais das seguintes condições: desejo intenso de consumir a substância; incapacidade de controlar o próprio uso; síndrome de abstinência (tensão e irritação quando não utiliza a substância); tolerância aos efeitos (consumo cada vez maior para obter a mesma sensação de prazer); muito tempo gasto procurando, consumindo e se recuperando dos efeitos; continuidade no uso do produto, mesmo com o surgimento de problemas. No caso do açúcar, e das crianças mais especificamente, é gritante o desejo de consumir, a quase que total incapacidade de controlar esse consumo, o excesso de tempo gasto procurando doces e comendo-os e a persistência do consumo, mesmo com o aparecimento de problemas sérios como obesidade e diabetes, dores nas pernas e incapacidade de se exercitar.

A questão tem levantado interesse crescente da comunidade científica e chegou a ser tratado na capa do periódico científico Nature Neuroscience. Se para adultos já é complicado parar com hábitos que incluem a forte ativação do circuito dopaminérgico mesocortical, para crianças é muito mais. O excesso de ativação dessa via prejudica o córtex frontal e algumas de suas conexões que nos permitem fazer escolhas. Por isso, para os pequenos dependentes de açúcar, tomar a decisão de comer ou beber algo mais saudável é quase impossível.

É com base nessa situação que vários cientistas têm defendido a regulamentação do açúcar para menores de idade. Essa proposta, que pode parecer radical para muitos, foi recentemente veiculada pelo Center for Science in the Public Interest, dos Estados Unidos. No Brasil, a sociedade civil tem se organizado razoavelmente bem em torno do assunto.  No Rio de Janeiro, em Florianópolis e Belo Horizonte já há leis restringindo a publicidade de alimentos não saudáveis para crianças. No estado de São Paulo, uma lei aprovada pelos deputados para limitar a propaganda para crianças foi vetada pelo governador Geraldo Alckmin, embora o projeto conte com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Certamente, as leis podem significar avanço na batalha entre a TV e os pais, na tentativa de influenciar os hábitos alimentares das crianças. Mas a legislação não resolve todo o problema: é fundamental que pais, mães, professores e educadores tenham conhecimento da gravidade da situação e se empenhem em mudar aquilo que nossas crianças – e também aquilo que nós, adultos – colocam dentro do corpo sem questionamento, mas de forma tão prejudicial.”

Texto de: Manuella Batista de Oliveira e Eduardo Schenberg

Resumo cap 19 – A Idade de Colher Frutos, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 19 (A Idade de Colher os Frutos):

NUTRICAO CEREBRAL

“Como os demais países em desenvolvimento, o Brasil deverá nas próximas décadas, igualar-se aos do Primeiro Mundo no que diz respeito à doença de Alzheimer, a condição mais crítica que se conhece de degeneração cerebral. (…)

A doença de Alzheimer foi identificada no início do século passado pelo cientista Alois Alzheimer, daí seu nome. Como o hipocampo é a primeira área cerebral a ser afetada no Alzheimer, os lapsos de memória são seu primeiro sinal. (…)

O grande drama do Alzheimer, e o que nos faz pessimistas em relação ao futuro, é que a psiquiatria e neurologia não estão se preparando para tratar da doença preventivamente, considerando a interação entre os seus aspectos nutricionais, toxicológicos e genéticos. Hoje atribui-se toda a responsabilidade do Alzheimer aos genes, o que acaba por simplificar demais a questão: se uma doença tem causa genética, não há o que fazer a não ser tomar medicamentos para impedir seu avanço.

Ainda não se cuida das questões nutricionais e toxicológicas do Alzheimer porque isso exigiria grande reformulação na questão alimentar dos países. Prevenir o Alzheimer a partir de um enfoque ortossistêmico levaria à necessidade de adoção de políticas de saúde que investissem em pesquisas sobre alimento e poluição. E nenhum governo consegue fazer, infelizmente, porque contraria os interesses das indústrias mais poderosas do mundo. (…)

Os fatores ambientais são muito considerados na etiologia do Alzheimer, com destaque para o alumínio, cuja relação com a doença já está comprovada. Nos locais onde há uma incidência alta do metal na água, verificam-se mais casos de pessoas com Alzheimer. (…)

Também são muito comuns entre as alterações encontradas nos cérebros de pessoas com Alzheimer os produtos avançados de glicação, conhecidos pela sigla AGE (advanced glycation end products), que são o resultado de uma reação perigosa que acontece no organismo a partir, mais uma vez, dos radicais livres.

Para compreendermos essa reação, é preciso fazer uma diferenciação muito importante entre os dois processos de incorporação da glicose à proteína no organismo: a glicosilação, que é uma reação benéfica, modulada por enzimas, e que forma substâncias úteis para o funcionamento das membranas celulares, e a glicação, um processo em que a glicose se incorpora à molécula da proteína através da oxidação, sem a participação de enzimas. (…)

A questão da contaminação por metais também tem-se mostrado muito importante nos distúrbios mentais comuns da última fase da vida. Além do alumínio, o chumbo, o mercúrio e outros metais têm mostrado efeitos dramáticos. Quem fumou durante toda a vida, por exemplo, frequentemente está intoxicado com cádmio e níquel. O primeiro é conhecido por suas consequências renais, mas também é séria ameaça à integridade cerebral. (…)

Ainda sobre esses minerais prejudiciais à saúde, é importante lembrar que o teor deles nos alimentos refinados é muito grande. A farinha branca, por exemplo, tem mais cádmio do que zinco, mineral que é antagonista do cádmio. Já na farinha integral essa relação não existe, há muito mais zinco. (…)

Uma Nova Maturidade

Por diversas estratégias, o bombardeio de substâncias estressoras no cérebro vai lentamente causando a degeneração de seus circuitos cognitivos, afetivos e psicomotores, bloqueando a inteligência emocional. Até que no último estágio da vida, quando as pessoas deveriam estar colhendo os frutos de tudo o que fizeram, os distúrbios da mente explodem, tornando a velhice a fase mais triste e sofrida da vida. (…)”

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]

Resumo cap 16, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 16 (Para Crianças Mais Felizes e Bondosas):

NUTRICAO CEREBRAL

“Chegar ao mundo passando por um gestação tranquila, em que houve boa disponibilidade de nutrientes, é algo que aumenta as chances de felicidade de qualquer ser humano. Entretanto, como a evolução é o grande propósito da natureza, a infância, primeira etapa da vida, oferece uma oportunidade única de reparar eventuais danos da gravidez, para dar origem a uma existência feliz e criativa. (…)

A recuperação de danos é realizada, principalmente durante o sono do bebê e por isso os recém-nascidos precisam dormir tanto. (…)

Hoje se sabe que o metabolismo de uma criança é seis vezes mais rápido que o de um adulto. Essa descoberta, inclusive, foi a que deu o Prêmio Nobel ao cientista Pierre Le Compte du Nouy (…). Esse dado deixa clara a vulnerabilidade da saúde infantil e alerta para diversos perigos, inclusive o uso de medicamentos. Infelizmente, vem-se tornando comum a utilização abusiva de antibióticos e antiinflamatórios em crianças.

Quase não se usa na pediatria básica dar lactobacilos para corrigir a flora intestinal das crianças e pouco se considera a importância do zinco para a formação do sistema imunológico e para a absorção e fixação das vitaminas, especialmente a vitamina A, que promove a resistência da pele e das mucosas. Por isso é tão comum que crianças apresentem infecções constantes, como as de ouvido. (…)

Quando se utilizam alimentos no tratamento do autismo – e infelizmente poucos centros psiquiátricos o fazem atualemente –, o que se considera principalmente é a depressão imunológica provocada pela carência de zinco, que é agravada pelo excesso de carboidratos refinados. Como se sabe, esses dois fatores fazem proliferar tanto a Candida albicans como a Clostridium difficile, cujas toxinas estão envolvidas também em outros distúrbios infantis, como o distúrbio do déficit de atenção (DDA). (…)

Como o autismo, o DDA vem aumentando significativamente em crianças nas últimas décadas. E as causas desse distúrbio infantil certamente podem estar nas questões alimentares, mais especificamente no aumento da permeabilidade intestinal e nas proteínas não digeridas do glúten e da caseína. Quando são absorvidas pelo intestino e passam para a corrente sanguinea, as proteínas mal digeridas do leite e do trigo podem produzir no liquor do cérebro derivados de substâncias estimulantes. É o que provoca a agitação típica do distúrbio do déficit de atenção (DDA) e a hiperatividade. (…)

É muito importante o fato de que os distúrbios mentais mais comuns da infância começam a ser relacionados com erros alimentares, e já existem diversas pesquisas provando que a utilização de smart nutrients pode produzir excelentes resultados na reversão de muitos desses distúrbios. No que diz respeito ao DDA, comprovou-se que o uso de ômega 3 associado à restrição de carboidratos refinados, corantes, chocolate, cafeína e gorduras trans e hidrogenadas, que fornecem excesso de ômega 6, pode dar ótimos resultados. (…)

Existe uma relação na incidência da deficiência de ômega 3 como o DDA na infância, a esquizofrenia na adolescência, a depressão na vida adulta e a doença de Alzheimer na velhice. (…)

A verdade é que à medida que aumenta na dieta infantil a quantidade de substâncias que podem gerar uma alteração neurológica, também crescem as chances de disfunções sérias no presente e no futuro. Quanto mais perde energia no lobo frontal, por falta de nutrientes, mais dificuldade a criança terá para adquirir conhecimentos e assimilar as lições que a vida oferece. (…)

Um outro cuidado fundamental que se deve ter com a saúde infantil diz respeito aos metais tóxicos. (…)

O mercúrio, por exemplo, que ainda aparece na fórmula de muitos agrotóxicos utilizados no Brasil, bloqueia as bombas injetoras que promovem a entrada da vitamina B12 no cérebro, o que pode causar distúrbios psiquiátricos graves também em crianças. Esse é um dado pouco difundido porque muitas pessoas psicóticas costumam apresentar níveis de B12 normais no sangue. Entretanto, quando a dosagem é realizada no liquor, os níveis da vitamina estão frequentemente baixos. O mesmo ocorre com o ácido fólico.

Já o chumbo, comprovadamente, causa hiperatividade e DDA. Tal fato é levado tão a sério que em alguns países crianças em idade escolar devem fazer testes para verificar se estão ou não contaminadas por chumbo. Infelizmente essa prática não existe entre nós e muitas marcas de tintas ainda contêm chumbo em sua composição. Também verificou-se a presença do metal na tinta de brinquedos provenientes da China.

Em alguns países, como os Estados Unidos, o cuidado com a contaminação por chumbo é tão grande que existe uma fiscalização rigorosa de solos para plantio, já que no passado a gasolina continha chumbo e muitas terras próximas a estrada estão hoje impregnadas com o metal. Também não se admite a construção de parques infantis em áreas contaminadas com chumbo. (…)

A relação entre as doenças modernas com os fatores nutricionais é bastante evidente e as poucas civilizações que ainda se alimentam de forma natural a reforçam. (…)

Um componente da alimentação infantil que merece maiores considerações é certamente o açúcar refinado, pois é grave a permissividade com que ele é utilizado. (…) Como vimos, oa açúcar refinado faz perder cromo e ainda zinco pela urina, tornando as crianças mais predispostas à depressão e a problemas imunológicos, entre outros. (…)

A criança ainda não conhece o sabor dos alimentos e por isso a introdução de açúcar é totalmente desnecessária, assim como o sal nas comidas salgadas. É preciso dar às crianças a oportunidade de experimentar o sabor natural dos alimentos. (…)

Quanto melhor a criança se alimenta, maior a disponibilidade de nutrientes benéficos para seu cérebro. Mais ela tem inteligência emocional, mais ela é criativa, bondosa e mais cedo assimila as vantagens da colaboração e da amorosidade sobre a competividade ou a alienação.

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]

Resumo cap 13, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 13 (A Abordagem Ortossistêmica):

NUTRICAO CEREBRAL

“O advento dos Smart Nutrients vem determinando mudanças importantes na forma de tratar a saúde mental. (…) Não há sucesso no tratamento de questões isoladas, pois é preciso considerar todos os aspectos biológicos, sociais e psicológicos que podem determinar a saúde ou a doença. (…)

O que se constata é que aqueles que buscam a solução apenas para a obesidade não conseguem tratar sequer deste distúrbio, e por isso sofrem com o chamado efeito ioiô. Tudo é sistêmico no universo, e no que se refere à fome compulsiva, há muito mais o que considerar nesses casos. (…)

O modelo ortossistêmico representa uma forma mais abrangente de tratar quem sofre porque coloca sua individualidade acima do seu distúrbio, abrindo mão das estratégias puramente medicamentosas que não consideram as diferentes dimensões do sofrimento. (…)

O Papel Fundamental do Estresse

Dentro da abordagem ortossistêmica, é muito importante distinguir o tipo de estresse desencadeante de um distúrbio da mente. (…)

Um bom exemplo são as crises nos relacionamentos afetivos. Se considerarmos que melhorar a relacionamento de um casal nada mais é do que melhorar a sua comunicação, a solução dos conflitos se torna mais simples quando se administra a transparência que existe sobre o jogo das necessidades e recursos de duas pessoas e suas correlações dentro da união. (…)

O casamento é um exemplo interessantíssimo da dinâmica que surge a partir da interação entre diferentes necessidades e recursos, e está claro que quanto mais emocionalmente inteligentes, ou seja, quanto mais bem nutridos do ponto de vista cerebral, mais os parceiros estarão preparados para evoluir e chegar juntos à felicidade. (…)

Seja nas relações pessoais, no trabalho ou em qualquer outra área de interação humana, será cada vez mais importante a abordagem ortossistêmica dos indivíduos, assim como o conhecimento sobre os smart nutrients, que recuperam o potencial do cérebro e impedem o bloqueio da inteligência emocional. (…)

Os Exames Essenciais

(…) Em função dos interesses da indústria farmacêutica, o mineralograma vem sendo esporadicamente contestado através de notícias que proclamam sua inutilidade, que vez por outra são divulgadas nos meios de comunicação. (…)

Existem diversos casos em que um mineralograma faz a diferença. Um bem simples é a acidez estomacal, mal que atinge um número imenso de pessoas, a maioria após os 50 anos de idade. O problema na verdade acontece porque a carência de alguns minerais diminui no estômago a produção de ácido clorídrico, para digerir os alimentos e matar os germes oportunistas. Sem a barreira da acidez, muitos deles, principalmente o Helycobacter pilori, proliferam na região estomacal.

O que acontece normalmente é as pessoas começam logo a tomar antiácidos quando sentem acidez estomacal, o que não resolve, já que essa forma de úlcera é um efeito da falta de ácido clorídrico, não do excesso. (…)

Um outro problema que devemos citar é o fato de muitos antiácidos conterem em suas fórmulas o alumínio, mineral que pode causar sérios prejuízos à saúde. (…) Quanto ao antibiótico, este acaba por destruir a flora útil do intestino, aumentando a chance para os germes oportunistas.

Para utilizarmos um exemplo dentro do tema central deste livro, que é a saúde mental, a mesma falta de minerais pode fazer proliferar no intestino um germe chamado Clostridium difficile, que secreta uma toxina capaz de inibir a síntese de serotonina no cérebro. A estratégia do germe é provocar em seu hospedeiro a necessidade de comer carboidratos simples, de rápida absorção, que são seu principal alimento. (…)

O Clostridium difficile também inibe a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e aumenta a proliferação da Candida albicans, que é um fungo envolvido na depressão. Na verdade, a falta de minerais pode provocar distúrbios mentais por várias vias… (…)

Um exemplo claro disso é que nos casos de Alzheimer é freqüente surgir, vinte anos antes, um déficit de betacaroteno e de vitamina C. (…)

É claro que o tempo de assimilação de novos conceitos na medicina é muito longo e hoje, em função dos interesses da indústria de medicamentos, há um grande trabalho de manipulação da opinião pública para negar a utilidade das estratégias mais naturais de cuidar da saúde, que não determinam formas de dependência. (…)

No que diz respeito aos suplementos vitamínicos, que também são smart nutrients, as quantidades terapêuticas constituem uma polêmica eterna. É inquestionável a afirmação de que uma alimentação rica e saudável previne doenças, mas é ingênuo pensar que alguns distúrbios mentais podem ser solucionados apenas com uma excelente dieta, embora seja fundamental para a desintoxicação do organismo e restabelecimento do sistema.

Quando chegam ao estresse oxidativo, as pessoas já atingiram um grau de carência nutricional que apenas poderá ser corrigido com doses concentradas de nutrientes que recuperarão a funcionalidade do cérebro. (…)

O que acontece é que, quando buscam o tratamento, alguns pacientes já estão com as “bolas de neve” da desnutrição cerebral muito grandes. E se começam a tomar remédios, sem corrigir primeiro a desnutrição, as bolas de neve tendem a ficar maiores e mais complexas. O paciente perde o que se chama de janela de oportunidade terapêutica preventiva e heurística. Joga fora a oportunidade de retomar sua evolução. (…)

Esta é uma prova irrefutável de que o uso dos medicamentos sintéticos abafa os sintomas, mas não corrige as causas que formam uma espécie de espiral de desnutrição da célula, do cérebro e, pelos seus metacircuitos, fazem com que o indivíduo se transforme em um agente da destruição social.

Cérebro-intestino: uma conexão vital

Seja por meio de uma alimentação equilibrada, seja por meio de suplementos, nenhum nutriente chega ao cérebro antes de ser processado pelo sistema digestivo. (…)

Para que um nutriente chegue ao ambiente cerebral e lá exerça suas funções, é muito importante que o sistema gastrintestinal esteja em boas condições. E para que o equilíbrio deste aconteça, uma nutrição adequada é o ponto-chave. (…)

Essa é uma das razões pelas quais o intestino tem passado por uma grande revisão científica nos últimos anos, sendo hoje considerado um órgão de estreita ligação com o cérebro.

Com cerca de 100 milhões de neurônios, o intestino auxilia o cérebro a sintetizar substâncias importantes. (…) Sabe-se hoje que cerca de 90% da serotonina que temos em nosso organismo são produzidos não no cérebro, mas no intestino.

O intestino é responsável por 80% da capacidade imune do organismo e é também um grande produtor de neurotrofinas (…).

É muito importante preservar a capacidade de absorção do intestino, o que significa manter íntegras suas vilosidades. (…) Além da alimentação deficiente e intoxicante como a atual, o uso prolongado de antibióticos, anticoncepcionais, antiinflamatórios e corticóides pode comprometer a integridade das vilosidades intestinais, fazendo com que o órgão perca sua capacidade natural de selecionar o que pode ser absorvido ou não pelo organismo. (…)

Com suas paredes mais permeáveis, o intestino permitirá a passagem para corrente sanguínea de substâncias indesejáveis, como as perigosas toxinas secretadas pela parcela nociva de microorganismos que habitam o intestino – são cerca de 50 trilhões delas. Muitas dessas toxinas desenvolvem processos depressivos no organismo, para criar a necessidade da ingestão de açúcares, como é o caso da Candida albicans e do Clostridium defficile.

Outro grande problema do aumento da permeabilidade intestinal é que o organismo passa a absorver proteínas ainda não devidamente digeridas, dando origens às alergias e intolerâncias alimentares. (…)

A verdade é que muitas pessoas que hoje sofrem com a depressão e outros distúrbios mentais com certeza poderiam obter grande melhora se investigassem a integridade de seu sistema gastrintestinal. A infelicidade pode começar por esse ponto.”

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]

Resumo capítulo 10, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 10 (A Diferenciação Alimentar):

NUTRICAO CEREBRAL

“Muitos estudiosos da evolução creditam a degeneração da saúde e inteligência do homem a causas nutricionais. Segundo eles, não teria havido tempo suficiente para que o código genético humano modificasse suas informações de forma a fabricar enzimas capazes de digerir completamente os novos alimentos que o homem vem introduzindo em sua dieta. (…)

Enquanto viveu como caçador-coletor, o homem teve uma excelente disponibilidade de vitaminas, minerais e gorduras saudáveis para promover o aperfeiçoamento de sua inteligência. Até que, há cerca de 10 mil anos, o homem parou de deslocar-se em busca do alimento e se fixou na terra, desenvolvendo a agricultura e a criação de animais. Foi quando aconteceu a primeira grande modificação da dieta humana, com a introdução dos grãos, pães, leite e derivados.

Há pouco mais de 50 anos, com o advento da industrialização dos alimentos, uma outra grande modificação alimentar ocorreu, com a introdução dos fast-foods, gorduras processadas e alimentos exageradamente açucarados. Segundo os pesquisadores, essa nova dieta vem determinando mudanças importantes, às quais o código genético humano definitivamente ainda não conseguiu se adaptar.

Hoje, frutas, legumes e verduras são alimentos cada vez mais raros nas dietas da maior parte da população. As gorduras saudáveis do peixe foram substituídas pelas gorduras processadas e hidrogenadas (margarinas), que são altamente oxidantes, ou seja, trabalham a favor dos radicais livres. Não é de se admirar, portanto, que as doenças mentais e físicas venham aumentando em ritmo acelerado nas sociedades que se afastaram da alimentação natural. (…)

Vejamos a questão dos ômegas, tipo de gorduras poliinsaturadas essenciais para o funcionamento cerebral.

Para que os ômegas exerçam sua ação benéfica, é preciso haver uma proporção exata deles: uma molécula de ômega 3 para cada quatro moléculas de ômega 6. Mas quando se come gorduras hidrogenadas ou processadas demais, acontece um desequilíbrio dos ômegas, com o aumento brutal dos ômegas 6, que então passarão a produzir substâncias neurotóxicas, que inflamam o cérebro. E onde há inflamação, há estresse oxidativo. (…)

Com o refinamento, grãos e farinhas perdem substâncias preciosas para a saúde, como o cromo, mineral que ajuda a estabilizar o açúcar no sangue, o que é uma garantia de saúde física e mental. Além de não possuírem o mineral, os carboidratos refinados ainda provocam a perda do cromo pela urina e o aumento de peso. Grãos e farinhas refinados perdem também fibras, que ajudam a disponibilizar a glicose mais lentamente para o organismo, o que é muito bom, pois evita uma liberação muito rápida da insulina. (…)

Quem não come frutas, verduras, legumes e grãos integrais cedo ou tarde começa a apresentar sintomas que são resultado de um estado de desnutrição, quadro cada vez mais comum em pessoas que nunca experimentaram a fome. Trata-se uma desnutrição subclínica, que não acontece por ausência de alimento, mas sim pela falta de nutrientes. (…)

Escolher os alimentos sob a ótica do que é mais fácil ou atraente representa um risco muito sério. Nossa alegria de viver, nosso potencial hormonal e imunológico, enfim, o bem-estar físico e mental estão diretamente ligados ao estilo de alimentação que adotamos. (…)

Cada célula é dependente de cerca de 40 nutrientes para se manter saudável, e quando essa demanda não é satisfeita, a célula entra em sofrimento. No cérebro, isso é o início dos processos neurodegenerativos e do envelhecimento precoce. (…)

Seja nos casos onde há falta de sensibilidade dos receptores, seja quando há uma deficiência em sua produção, estamos, novamente, diante da questão dos nutrientes. Para produzir e fazer funcionar qualquer proteína receptora é necessária uma grande variedade de vitaminas, minerais e aminoácidos, que apenas uma alimentação bem equilibrada pode fornecer.”

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]

Resumo capítulo 9, livro “Nutrição Cerebral” de Helion Povoa

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Nutrição Cerebral“, capítulo 9 (A Energia do Cérebro):

NUTRICAO CEREBRAL

“(…) Mas não é simples entender de que forma o estresse oxidativo pode provocar alterações estruturais no cérebro. Para isso, é preciso que aprofundemos o conhecimento a respeito dos mecanismos de formação da energia cerebral, que são complexos.

Nosso cérebro conta com cerca de 100 bilhões de neurônios. Cada um deles pode formar até 10 mil dentritos (…) onde são feitas as ligações com os outros neurônios. Os neurônios processam simultaneamente um número imenso de conexões e por isso o cérebro é o órgão de maior gasto energético de todo organismo. Embora tenha apenas de 2 a 3% do peso do corpo, o cérebro consome 20% do oxigênio que circula por ele.

Os neurônios trabalham muito mais do que imaginamos. Além de sustentarem um número incalculável de proteínas. (…)

Para o cérebro, o alimento de excelência é a glicose. Mas, para chegar aos neurônios, a glicose deve passar primeiro pela barreira hematoliquórica, que conecta o sangue com o liquor, que banha o cérebro. Esta barreira, quando saudável, impede a penetração de substâncias nocivas para o ambiente cerebral. (…)

Em células saudáveis, as mitocôndrias produzem, além da água e do ATP, uma quantidade pequena de radicais livres. Mas quando há muitos corticóides no cérebro, que é o que acontece no estresse oxidativo, esses hormônios bloqueiam a entrada de glicose nos neurônios, que ficam sem matéria-prima para produzir ATP. Acontece então uma perigosa inversão: as mitocôndrias passam a produzir menos ATP e radicais livres em excesso. Sem ATP, o cérebro diminui sua produção de proteínas. (…)

É o que dá início à degeneração de seus circuitos.

Embora esse mecanismo nos pareça aterrorizante, ele é real. Segundo o pesquisador Bruce Ames, da Universidade da Califórnia, o ser humano pode sofrer atualmente até 10 mil lesões em seu material genético por dia, o que provoca as mutações celulares que produzem toda forma de doenças, inclusive mentais. (…)

(…) o organismo humano conta com meios próprios de conter o processo de destruição dos mecanismos de proteção dos genes a partir de proteínas regeneradoras. Estas atuam principalmente durante o sono delta, o sono mais profundo, e quando há boa nutrição no organismo. Por isso é tão importante uma alimentação antioxidante, que ofereça resistência à ação dos radicais livres (…)

Entre as conseqüências da falta de nutrientes, é de grande importância a neuroglicopenia, um distúrbio sério que também afeta a mente. A neuroglicopenia começa com a deficiência de cromo e vanádio, dois minerais essenciais para ativar a sensibilidade dos receptores de insulina, que estimulam os genes a fabricar as proteínas que transportam a glicose até as mitocôndrias. (…)

Quando acontece a neuroglicopenia, ainda que haja glicose suficiente no sangue, não há como transportá-la do sangue para dentro do cérebro, para que seja transformada em energia. E sem energia não há como fabricar toda a gama de proteínas que o cérebro necessita para funcionar. Começa a faltar concentração, a memória passa a falhar e depressão vai se aproximando.

O cérebro, carente de glicose, começa então a enviar mensagens para o hipotálamo, pedindo mais combustível. Mas quanto mais o organismo se enche de carboidratos, mais aumenta a insulina no sangue e menos sensíveis ficam os seus receptores. Além disso, quando se ingere açúcar refinado em excesso, a sensibilidade dos receptores de insulina diminui ainda mais. Este tipo de açúcar é rico em substâncias que depletam o cromo e o vanádio, essenciais para ativar a sensibilidade desses receptores. (…)

Reconhece-se agora que o hiperinsulinismo pode causar não apenas a diabetes tipo 2, mas também obesidade, hipertensão e ainda depressão, todos incluídos na chamada síndrome metabólica. Trata-se de um problema que avança com rapidez impressionante no mundo ocidental e que nos ajuda a compreender a importância que os nutrientes possuem para o bom funcionamento do nosso cérebro.”

Retirado do livro: “Nutrição Cerebral”, 2005 – Editora Objetiva, de Helion Póvoa [Comprar o livro]