Documentário: “Morrendo por não saber”

Este filme é um documentário sobre o médico Max Gerson e a famosa terapia que criou e leva seu nome: Terapia de Gerson. Conteúdo em inglês com legenda em português.

Depois de filmar o documentário “O Milagre de Gerson”, o Diretor Steve Kroschel, se deparou com max1evidências que apontavam que realmente a cura do câncer já havia sido descoberta e que interesses da indústria farmacêutica estavam por trás de esconder os resultados da Terapia de Gerson, que utiliza-se basicamente da nutrição altamente rica e da desintoxicação. Ele vai então conversar com médicos, pacientes, nutricionistas viajando pelos EUA, Espanha, Holanda e México. No Japão conversa com um médico que aplicou em si o tratamento e curou-se, depois de ter sido diagnosticado de câncer terminal 50 anos atrás. Esse médico hoje faz a Terapia de Gerson no Japão para inúmeros pacientes. “Por que essa terapia ainda está renegada depois de 75 anos de claramente provar curar doenças degenerativas?” – É o que o diretor tenta responder.

Após sua morte, Dr.Max Gerson recebeu homenagem da comunidade ortomolecular, posicionando-o no hall da fama dos precursores da medicina ortomolecular.

Local do documentário: Vimeo.com

Clique aqui para assistir o documentário.

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COMO A RESISTÊNCIA À INSULINA SE TORNA SÍNDROME METABÓLICA

COMO A RESISTÊNCIA À INSULINA SE TORNA SÍNDROME METABÓLICA

Você não precisa ser obeso para ter síndrome metabólica. Até porque 40% dos adultos com peso normal possuem! A obesidade é um marcador para síndrome metabólica, mas não é o único, não é a causa. Que ela esteja em pessoas gordas ou não, uma coisa com que todos concordam é que a resistência à insulina é o início da síndrome metabólica. E pessoas magras também podem ser resistentes à insulina. Mas como? E quando? E por que o corpo se torna resistente à insulina?

Aqui está um esquema pela qual a Síndrome Metabólica ocorre:

1- A síndrome metabólica começa quando seu corpo acumula energia, estocando no fígado e tecido adiposo visceral. Isso torna o fígado resistente à insulina, o que começa a disfunção metabólica, uma cascata de efeitos que danifica cada órgão do corpo.

2- A resistência à insulina do fígado faz com que ele transporte energia de forma imprópria. O pâncreas responde aumentando a liberação de insulina. Isso causa hiperinsulinemia, que por sua vez causa mais deposição de gordura no tecido adiposo subcutâneo levando ao ganho de peso e obesidade.

3- O fígado tenta exportar o excesso de gordura como triglicerídeos para ser estocado no tecido adiposo subcutâneo. Os níveis de lipídeos no sangue aumentam levando a dislipidemia, um dos fatores de risco da doença.

4- A alta taxa de insulina age na musculatura lisa que envolve os vasos sanguíneos fazendo com que cresçam mais rápido do que o normal, levando a hipertensão.

5- A combinação de resistência à insulina, problemas com lipídeos e hipertensão ataca todo o corpo. Isso promove doenças cardiovasculares que podem resultar em infarto e derrame.

6- A gordura no fígado causa inflamação, o que leva a mais resistência à insulina. Eventualmente o fígado pode desenvolver em esteatose hepática que pode progredir para cirrose.

7- A resistência à insulina e hiperinsulinemia nas mulheres podem levar os ovários a produzir mais testosterona e reduzir o estrogênio. Isso resulta em ovários micropolicísticos e infertilidade.

8- Na medida que a resistência à insulina no fígado piora e a taxa de gordura aumenta, o pâncreas fabrica mais insulina. As células beta não conseguem atingir os requisitos e isso leva a insuficiência de insulina. Quando elas falham (e irão), você tem diabetes tipo 2

9- Insulina é um dos hormônios que está associado ao desenvolvimento e crescimento de várias formas de câncer.

10- Existem evidências, mas nada comprovado, de que a resistência a insulina pode causar demência.

Assistam ao Importante Vídeo (Clique para assistir):

“4 DICAS DO DR. ROBERT LUSTING”

1. Retire as bebidas açucaradas da sua casa, incluindo sucos de frutas em caixa.

2. Reduza a insulina ingerindo menos carboidratos refinados.

3. Mastigue bem e espere 20 min. antes de repetir o prato.

4. Exercite-se, passe menos tempo diante da televisão e internet (ensine as criança pelo exemplo)

 

Dr. Robert Lustig

Médico Endocrinologista

Professor da Universidade da California em São Francisco – UCSF

(Traduzido por Henrique Autran. Revisado e adaptado por David Menezes)

fonte: http://henriqueautran.tumblr.com/post/50007044586/como-a-resistencia-a-insulina-se-torna-sindrome

EUA: Calorias vazias fora das escolas.

Desde junho, nas escolas nos EUA começaram a valer as novas normas que atingem máquinas de venda automática e lanchonetes das escolas americanas. Saem as barras de chocolate e doces, e entram amendoim e copos de frutas. As normas foram desenvolvidas pelo Departamento de Agricultura dos EUA – USDA, e as escolas tem um ano para se adaptar.

O quadro abaixo resume a nova determinacão do USDA. A ênfase está na oferta de cereais integrais, assim como alimentos que contenham frutas, verduras, laticínios ou tenham proteína (carne, feijão, aves, frutos do mar, ovos ou nozes) como ingredientes principais. O sódio é abominável e as “calorias vazias” – adição de açúcares e gorduras, sem valor nutricional – são evitados. O resumo completo das regras podem ser encontradas neste link.

Essa é uma má notícia para os fabricantes de biscoitos recheados de chocolate, que contêm 286 calorias (incluindo 182 calorias vazias – sem valor nutricional) em um pacote de seis, de acordo com o departamento americano.

As normas atingem mais de 50 milhões de crianças. Mas as determinações não afetam o que os alunos trazem de casa, ou o que eles compram fora da escola. Vendas de bolos e similares vão continuar como antes. E os bolos de aniversário continuam permitidos.

O USDA, que também introduziu novas regras para refeições, diz que os padrões de lanche são necessárias para melhorar a saúde:

“Quase um terço das crianças nos Estados Unidos estão em risco de doenças preveníveis, como diabetes e doenças cardíacas devido ao excesso de peso ou obesos. Se não for tratado, especialistas em saúde alertam que esta geração pode ser a primeira a viver menos que os próprios pais.”

Fonte original em inglês em: http://www.fastcoexist.com/1682525/no-more-empty-calories-the-us-government-gets-tough-on-school-snacks  

Medicamento de Referência, Genérico e Similar, você sabe as diferenças?

O mercado farmacêutico brasileiro conta, desde o dia 3 de fevereiro de 2000, com três categorias de medicamentos: os remédios de referência ou marca, os genéricos e os similares. Para que o consumidor distingua entre os três tipos de produto, o Ministério da Saúde, por ocasião da regulamentação da Lei dos Genéricos, instituiu um diferencial gráfico que pode ser facilmente identificado nas embalagens dos remédios genéricos.

Esses medicamentos trazem na embalagem, logo abaixo do nome do princípio ativo que identifica o produto, a frase “medicamento genérico – Lei 9.787/99”. 

Os remédios similares que até o dia 23 de janeiro de 2000 eram comercializados somente pelo nome do princípio ativo estão obrigados a partir daquela data a adotar uma marca comercial ou agregar à denominação do princípio ativo, o nome do laboratório fabricante. Exemplo: “XYZdipirona”. As embalagens dos similares não têm nem terão a frase “medicamento genérico – Lei 9.787/99”. Portanto, para diferenciar um genérico de um similar basta conferir na embalagem a presença da frase. Se não tiver, não é genérico.

A terceira categoria é a dos medicamentos de referência ou marca, remédios já estabelecidos e há bastante tempo no mercado. Ex: Aspirina. Esses produtos também estão mudando de embalagem. O nome do princípio ativo, que até o dia 23 de janeiro de 2000 tinha um tamanho correspondente a 20% do nome de marca, agora terá que ser aumentado para 50%. A modificação busca dar maior visibilidade ao nome do princípio ativo também nos medicamentos de marca. Assim como os similares, os remédios de marca não terão a frase “medicamento genérico – Lei 9.787/99”, que identifica só os genéricos.

Qual a importância de saber a diferença?

Medicamento de marca ou referência: É o produto inovador, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente por ocasião do registro. É geralmente o primeiro remédio que surgiu para curar determinada doença e sua marca é bem conhecida. Ex: Aspirina.

Medicamento genérico: É um remédio intercambiável com o produto de marca ou inovador. Isto é, pode ser trocado por este pois têm rigorosamente as mesmas características e efeitos sobre o organismo do paciente. A garantia é dada pelo Ministério da Saúde que exige testes de bioequivalência farmacêutica para aprovar os genéricos. Testes de bioequivalência servem para comprovar se dois produtos de idêntica forma farmacêutica, contendo idêntica composição, qualitativa e quantitativa, de princípio ativo, são absorvidos em igual quantidade e na mesma velocidade pelo organismo de quem os toma. Os genéricos podem ser trocados pelos medicamentos de marca quando o médico não se opuser à substituição.

Medicamento similar: Contém o mesmo princípio ativo, apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, mas não são bioequivalentes. Sendo assim, não podem substituir os remédios de marca na receita pois, apesar de terem qualidade assegurada pelo Ministério da Saúde, não passaram por análises capazes de atestar se seus efeitos no paciente são exatamente iguais aos dos medicamentos de referência nos quesitos quantidade absorvida e velocidade de absorção.

fonte: ANVISA

Na ordem de segurança e eficácia para uso:

1º Medicamento de Referência ou Marca (testado clinicamente)

2º Medicamento Genérico (testado clinicamente)

3º Medicamento Similar (NÃO TESTADO CLINICAMENTE)

Açúcar branco – por que não usá-lo?

Por milhares de anos, mel e frutas frescas ou secas satisfaziam o desejo do homem por doces. Estes alimentos naturais contêm o açúcar não só, mas também sais minerais, vitaminas, enzimas, proteínas, água, etc, mas hoje em dia é o açúcar refinado cristalizado substituiu as fontes naturais de açúcar. Na indústria alimentar é utilizado em grandes quantidades. O açúcar branco é transformado em uma espécie de droga. Mais de 90% das pessoas têm desenvolvido um vício de açúcar de alguma forma. O açúcar é a composição química da sacarose pura – hidratos de carbono simples, surgiu como uma combinação de glicose (dextrose) e frutose (açúcar da fruta). Derivado da cana-de-açúcar ou beterraba. Embora o processo de obtenção seja muito diferentes, o produto final é idêntico.

História do açúcar

Acredita-se que a cana-de-açúcar, pela primeira vez foi utilizada na Polinésia, de onde se espalhou para a Índia.  Civilização egípcia, grega e romana usaram o açúcar em pequenas quantidades. O processamento de cana-de-açúcar foi mantido como um segredo na Pérsia antiga por causa dos grandes lucros, até a derrota para os árabes no século VII. Nas Cruzadas, foram os conquistadores que trouxeram para a Europa. Em Londres, no início do século 14, era vendido por US $ 100 o quilo para os padrões atuais e comprado em farmácias (como uma droga ou medicamento).

O consumo anual de hoje de açúcar atingiu 120 milhões de toneladas, e aumenta em 2 milhões de toneladas a cada ano. Os maiores produtores são a Índia e a União Europeia. O norte-americano usa em média mais de 50 quilos de açúcar por ano.

Viciados em açúcar

Baseado em décadas de numerosos estudos do açúcar branco, chegou-se a conclusão de que é uma substância química capaz de criar uma verdadeira dependência, a níveis semelhantes ao da nicotina, álcool e café. O açúcar branco não beneficia o corpo e não tem nenhum valor nutritivo, é realmente prejudicial. Ele é um verdadeiro risco para a saúde humana, porque é uma fonte direta ou indireta de doenças, tais como a cárie dentária, a arteriosclerose, a perda de cálcio nos ossos, enfarte, diabetes, obesidade, acne, úlcera do estômago, o colesterol elevado, problemas circulatórios, hipersensibilidade , degeneração do fígado, a tensão nervosa, etc. Suspeita-se que cerca de 80% das doenças de hoje tenham relação com o uso excessivo do açúcar branco.

Muitos vão perguntar como este derivado da cana de açúcar pode prejudicar a saúde humana. A resposta é simples. A substância que hoje conhecemos como o açúcar tem muito pouco a ver com a planta. É sacarose pura privada de impurezas, vitaminas, minerais, enzimas e todos os elementos vitais. É uma substância química completamente artificial. Ao contrário de outros alimentos no nosso corpo, a sacarose é completamente convertida em energia, sem a produção de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. Isto significa que são apenas calorias vazias. Porém, o maior problema é que a digestão do açúcar consume fontes de vitaminas, aminoácidos e minerais.

Estudos publicados mostraram que a utilização moderada de açúcar cria uma base para o desenvolvimento de muitas doenças da civilização moderna. Mesmo população inata da África e da Ásia com o açúcar branco desenvolveram a mesma doença que os consumidores ocidentais de açúcar branco. Outros estudos na África e na Índia mostram que a diabetes é uma doença desconhecida em aldeias que não utilizam carboidratos refinados. O açúcar branco é particularmente prejudicial para as crianças, os idosos e as mulheres, porque priva o corpo de cálcio e minerais, particularmente crómio. Isto acontece porque a sacarose liga-se com o cálcio no sangue. O composto resultante é inutilizável e é retirada do corpo através do sistema digestivo e renal. Também “rouba” vitaminas e enzimas que são necessárias para a sua digestão.

O que acontece no corpo quando ingerimos açúcar

Estudos detalhados mostram que cada vez que você ingere sacarose, perde substâncias orgânicas valiosas necessários para a sua digestão, tais como aminoácidos (triptofano e metionina), vitamina B (principalmente B5, B6 e B12) e minerais. Portanto, é seguro dizer que o açúcar branco é “ladrão” no corpo. Especificamente a sacarose, aumenta rapidamente os níveis de glicose no sangue. Isso força o pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina, a fim de manter a homeostase do corpo (o equilíbrio natural necessário para o organismo) e reduzir o nível de açúcar no sangue. Se você costuma consumir grandes quantidades de açúcar, o pâncreas está acostumado a secretar grandes quantidades de insulina. Isto cria uma dependência química no organismo que requer quantidades cada vez maiores de açúcar, a fim de manter o equilíbrio artificial criado recentemente. Então a pessoa torna-se ansiosa e vai em busca de algo doce para comer.

Transformação da Cana de Açúcar

É importante compreender o modo como as fábricas de açúcar transformam a planta da cana de açúcar num produto com tais efeitos indesejáveis ​​sobre os seres humanos, com a sacarose. O caldo de cana, uma vez extraído, é clareado com cal e dióxido de enxofre. Em seguida, aquece-se a 100°C e filtro-se com ácido fosfórico, que precipita as impurezas sólidas. Esse suco é concentrado e espesso. Ele é 99% puro melaço de sacarose de açúcar (açucar I).  Descansa para uma purificação e obtém-se 97% de pureza de sacarose (açúcar II). Os restos da última etapa, pela terceira vez são cozidos, a fim de obter 94% de pureza de sacarose (açúcar III). O açúcar resultante após a terceira etapa é vendido como açúcar branco, mas está muito longe de (ser) natural e do produto inicial. É um subproduto cheio de sujeira e resíduos industriais.

Açúcar mascavo é melhor!

Açúcar marrom com aparência de melaço. Este açúcar é lavado apenas com água, e é composto de sulfito de cálcio, sais de enxofre, hidrosulfito de sódio, ácido fosfórico, carbonato de sódio, etc.
Assim, açúcar mascavo é um alimento integral e natural. No entanto, existem processos que podem manter os ingredientes de alta qualidade do açúcar. Caldo de cana pode ser concentrado sem ferver e fermentar, e, assim, obter um verdadeiro açúcar integral. Este é um processo introduzido pelos jesuítas, e é usado no sul do Brasil. Agora recomeça a florescer um pouco este processo com os produtores de açúcar, preservando todos os seus valiosos ingredientes.

fonte original: http://atma.hr/bijeli-secer-zasto-ga-ne-koristiti/

Doce veneno

O consumo excessivo de açúcar pode aumentar o risco de depressão e estresse, além de prejudicar conexões neurológicas

“Na mesma época em que os europeus desembarcaram na América, uma mania alimentar invadia a Inglaterra e um sabor exótico, maravilhosamente doce, chegava das Índias Orientais: o açúcar. Os ingleses temperavam quase tudo com o novo produto, até mesmo batatas, carnes, ovos e vinho. A moda tomou conta do país rapidamente. Se pudesse, muita gente comeria açúcar puro na colher. A maioria, porém, não podia, já que o item era bastante caro.  A paixão, aliás, fez muitos ricos ficarem com dentes escuros e podres. E os pobres, que não tinham acesso a tanto açúcar, chegavam a ponto de pintar os dentes de preto.

Uma moda que leva as pessoas a ter dentes estragados – ou a falsificá-los – parece um tanto bizarra quando vista pela perspectiva do século 21. Mas o problema é que o frisson açucareiro segue o mesmo percurso – ou se mostra até mais preocupante – desde os dias do rei Henrique 8o. O consumo de açúcar pelos britânicos na época era de aproximadamente 9 quilos por pessoa por ano, enquanto hoje é de quase 40 quilos. Nos Estados Unidos, a situação é ainda pior: são quase 60,5 quilos por pessoa, anualmente. E aqui no Brasil, 51 quilos anuais – mais de 4 quilos por mês.

A moda do dente podre passou, em grande parte, por mérito dos dentistas, mas o uso de açúcar continua preocupante, já que está comprovadamente associado a problemas tão visíveis quanto dentes escurecidos: são registradas 35 milhões de mortes anuais no mundo relacionadas à obesidade ou decorrentes do consumo exagerado do produto e outros nutrientes que frequentemente o acompanham, como as gorduras. E é no mais inesperado dos produtos que se encontra uma quantidade estrondosa de açúcar: as bebidas. Refrigerantes, chás e sucos enlatados ou vendidos em caixas são responsáveis por pelo menos 180 mil mortes anuais no planeta, segundo o estudo The global burden of disease, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O custo para a saúde pública no Brasil também é estrondoso: quase R$ 500 milhões por ano, segundo estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB).

Tudo isso é revelado com transparência no documentário brasileiro Muito além do peso, da Maria Farinha Filmes e do Instituto Alana. Recentemente lançado, pode ser assistido gratuitamente na internet (www.muitoalemdopeso.com.br). O filme devia se tornar, instantaneamente, material didático em todas as escolas do Brasil. Em 80 minutos, o espectador se depara com o problema de forma direta e contundente: ao lado das latinhas de refrigerante, caixinhas de doces e de suco, são colocados sacos com a quantidade de açúcar encontrada dentro das respectivas embalagens. É difícil acreditar no que vemos: uma lata pequena de bebida contém sete saquinhos de açúcar. O consumo de uma lata por dia em um mês corresponde a 1,1 quilo de açúcar, o que encheria quase cinco latinhas só com açúcar.

“DISFARCE” DE CARBOIDRATO
Pesquisadores estimam que, diariamente, uma criança consuma, em média, 250 calorias extras, provenientes desses líquidos açucarados. O excesso constante pode ocasionar danos irreparáveis à saúde, mesmo em crianças de apenas 4 anos, contribuindo para o aumento significativo da incidência de diabetes tipo 2 nos primeiros anos de vida. Estima-se hoje que 33,5% das crianças brasileiras sofram de sobrepeso ou obesidade – e de cada cinco meninas e meninos obesos, quatro manterão essa condição na idade adulta. Para o endocrinologista Amélio de Godoy Matos, o quadro está diretamente relacionado a doenças cardiovasculares, a maior causa de mortalidade no mundo. E mais: há associações com depressão, estresse e até mesmo alguns tipos de câncer.

A endocrinologista Danielle Macellaro Andreoni, da Universidade de São Paulo (USP), cita sua experiência com uma paciente de 62 kg. Ela sofre de hipertensão, diabetes tipo 2, apresenta ainda colesterol, ácido úrico e triglicérides elevados. À primeira vista, esse parece ser o quadro de uma pessoa de 60 anos. Entretanto, surpreendentemente, tem apenas 9. A médica teme que situações como essa se tornem cada vez mais comuns, já que, atualmente, o uso de açúcar aumenta exponencialmente entre crianças e adolescentes, principalmente com o consumo extravagante de bebidas açucaradas. A estratégia de propaganda é perversa: as embalagens não são claras, e quando aparece, o açúcar vem descrito como “carboidrato”, palavra desconhecida da maioria da população.

Outro agravante é o fato de que mães e pais pouco informados oferecem a seus filhos essas bebidas açucaradas muito cedo: estima-se que 56% dos bebês brasileiros hoje consomem o líquido doce dessas latinhas em suas mamadeiras antes mesmo de completar o primeiro ano de vida. E, enquanto crescem, nas poucas horas diárias que passam na escola, não aprendem uma das coisas mais básicas e fundamentais: noções de nutrição saudável.

Além disso, nos programas de televisão aos quais assistem por pelo menos cinco horas diárias, as crianças são incentivadas a desejar compulsivamente os doces venenos, disseminados na categoria junk food. O termo foi criado na década de 70 por Michael Jacobson, então diretor do Center for Science in the Public Interest. A expressão junk food está associada a alimentos com alto teor calórico, ricos em açúcar, sal, gordura saturada e aditivos, como glutamato monossódico e tartrazina – mas com níveis reduzidos de nutrientes saudáveis. Oferecem poucas proteínas, vitaminas e fibras dietéticas. Esses “alimentos-lixo” são propagandeados pelos programas de TV como fonte da felicidade, e para vender essa ideia são utilizados efeitos especiais, alta tecnologia e personagens queridos da garotada. Os roteiros são elaborados para capturar a atenção dos pequeninos, seduzidos por alimentos e bebidas acompanhados de brinquedos e bugigangas – a isca perfeita.

Como enfatiza o documentário Muito além do peso, “criança é cidadão e tem o direito a ser informada e a escolher de acordo com as informações que recebe”. E, de fato, estudos neurocientíficos recentes mostram que essa história trágica pode começar a mudar no processo de escolha das próprias crianças. Entretanto, este é apenas o capítulo inicial, já que os efeitos dos produtos açucarados vão muito além do processo de escolha. Do ponto de vista neurológico, a ação do produto contribui para a modificação da atividade de várias estruturas cerebrais, e o resultado pode ser o prejuízo da capacidade de tomar decisões. A questão é tão séria que, do ponto de vista da neurociência, o açúcar pode ser considerado uma droga, já que é capaz de criar dependência.

COM APOIO DAS LEIS
Para começar, o cérebro, com cerca de 2% do peso total de nosso corpo, recebe aproximadamente 15% do volume de sangue bombeado pelo coração e usa principalmente a glicose como molécula energética. Assim, consome 25% da glicose disponível em todo o organismo. Ou seja: o mais sofisticado dos órgãos utiliza açúcar como fonte de energia – e o capta rapidamente. Mas ao chegar ao cérebro, o açúcar ativa as mesmas regiões que as drogas legalmente proibidas, como cocaína, e outras legalizadas, como o álcool. As principais estruturas neurológicas envolvidas nesse processo são o hipotálamo, o estriado dorsal e áreas do córtex pré-frontal. Essas regiões formam uma rede já muito bem conhecida pela ciência, ligada aos mecanismos de satisfação: o circuito dopaminérgico mesocortical. Trata-se de uma via cerebral que libera principalmente o neurotransmissor dopamina, importante na sensação de prazer. Quando essas áreas são ativadas frequentemente por hábitos como o consumo diário e excessivo de açúcar, desencadeia-se um círculo vicioso quase impossível de parar. É possível observar isso no comportamento de ratos de laboratórios mundo afora: durante os testes, os animais chegam a consumir açúcar de forma mais compulsiva que cocaína.

Para a psiquiatria, a dependência de drogas é definida como uma situação em que ocorrem quatro ou mais das seguintes condições: desejo intenso de consumir a substância; incapacidade de controlar o próprio uso; síndrome de abstinência (tensão e irritação quando não utiliza a substância); tolerância aos efeitos (consumo cada vez maior para obter a mesma sensação de prazer); muito tempo gasto procurando, consumindo e se recuperando dos efeitos; continuidade no uso do produto, mesmo com o surgimento de problemas. No caso do açúcar, e das crianças mais especificamente, é gritante o desejo de consumir, a quase que total incapacidade de controlar esse consumo, o excesso de tempo gasto procurando doces e comendo-os e a persistência do consumo, mesmo com o aparecimento de problemas sérios como obesidade e diabetes, dores nas pernas e incapacidade de se exercitar.

A questão tem levantado interesse crescente da comunidade científica e chegou a ser tratado na capa do periódico científico Nature Neuroscience. Se para adultos já é complicado parar com hábitos que incluem a forte ativação do circuito dopaminérgico mesocortical, para crianças é muito mais. O excesso de ativação dessa via prejudica o córtex frontal e algumas de suas conexões que nos permitem fazer escolhas. Por isso, para os pequenos dependentes de açúcar, tomar a decisão de comer ou beber algo mais saudável é quase impossível.

É com base nessa situação que vários cientistas têm defendido a regulamentação do açúcar para menores de idade. Essa proposta, que pode parecer radical para muitos, foi recentemente veiculada pelo Center for Science in the Public Interest, dos Estados Unidos. No Brasil, a sociedade civil tem se organizado razoavelmente bem em torno do assunto.  No Rio de Janeiro, em Florianópolis e Belo Horizonte já há leis restringindo a publicidade de alimentos não saudáveis para crianças. No estado de São Paulo, uma lei aprovada pelos deputados para limitar a propaganda para crianças foi vetada pelo governador Geraldo Alckmin, embora o projeto conte com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Certamente, as leis podem significar avanço na batalha entre a TV e os pais, na tentativa de influenciar os hábitos alimentares das crianças. Mas a legislação não resolve todo o problema: é fundamental que pais, mães, professores e educadores tenham conhecimento da gravidade da situação e se empenhem em mudar aquilo que nossas crianças – e também aquilo que nós, adultos – colocam dentro do corpo sem questionamento, mas de forma tão prejudicial.”

Texto de: Manuella Batista de Oliveira e Eduardo Schenberg

Documentário: Obesidade, a maior epidemia infantil da história

Documentário imperdível para pais e

profissionais de saúde.

Muito Além do Peso 

(Way Beyond Weight)
84′, cor, censura livre.

Obesidade, a maior epidemia infantil da história.

Um filme obrigatório para qualquer pessoa que se importe com a saúde das nossas crianças” Jamie Oliver

Pela primeira vez na história da raça humana, crianças apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2.
Todos têm em sua base a obesidade.
O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.

com
Jamie Oliver, Amit Goswami, Frei Betto, Ann Cooper, William Dietz, Walmir Coutinho, entre outros.
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti
Direção de Produção: Juliana Borges
Fotografia: Renata Ursaia
Montagem: Jordana Berg
Projeto Gráfico: Birdo
Trilha Sonora: Luiz Macedo
Produção: Maria Farinha Filmes
Patrocínio: Instituto Alana

Importante: Este filme tem visualização e compartilhamento livre!!

Clique aqui para assistir o filme

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