Resumo do Capítulo 3, livro “Anticâncer” do Dr.David Servan-Schreiber

Segue abaixo um trecho retirado do livro: “Anticâncer“, Capítulo 3:

Anticâncer

Capítulo 3 – Perigo e oportunidade

”Quando fiquei sabendo que tinha um tumor no cérebro, mergulhei de um dia para o outro em um mundo que me parecia familiar, mas do qual na realidade eu ignorava tudo: o mundo dos doentes. (…)

Estava entrando em um mundo cinzento, o mundo das pessoas sem título, sem qualidade, sem profissão. Ninguém se interessa pelo que elas fazem na vida, só querem saber o que aparece na sua última tomografia. Eu percebia que a maior parte dos meus médicos não sabia me tratar ao mesmo tempo como paciente e colega. (…)

Eu compreendi, com consternação, que aos olhos da maior parte das pessoas era impróprio brincar quando se sofria de uma doença grave. Todos os dias, toda a minha vida, iam me olhar como uma pessoa condenada a desaparecer no curto prazo. (…)

Enquanto a doença não passa rente a nós, a vida nos parece infinita e acreditamos que sempre haverá tempo para lutarmos pela felicidade. Antes preciso obter meus diplomas, receber meus créditos, é preciso que as crianças cresçam, que eu me aposente… mais tarde pensarei na felicidade. Adiando sempre para o dia seguinte a busca do essencial, corremos o risco de deixar a vida escoar entre nossos dedos, sem jamais tê-la de fato saboreado. (…)

Estou certo de que é a primeira vez que saboreio a vida. Me dou conta finalmente de que não sou imortal. Tremo à lembrança de todas as ocasiões que eu desperdicei – mesmo quando estava no auge da minha forma – por conta de um pseudo-orgulho, de falsos valores e confrontos imaginários. (…)

Todos nós temos necessidade de nos sentir úteis aos outros. É um alimento indispensável à alma, cuja falta faz nascer uma dor que será ainda mais dilacerante se a morte estiver se aproximando. Grande parte do que chamamos de medo da morte vem do medo de que nossa vida não tenha tido sentido, de que tenhamos vivido em vão, de que nossa existência não tenha feito diferença para nada nem para ninguém. (…)

Fico um bom tempo sozinho comigo mesmo, às vezes faço uma espécie de “peregrinação” íntima, indo até uma igreja, uma sinagoga, um lugar santo. Eu me recolho ao que me aconteceu: a dor, o medo, a crise. Eu agradeço, porque me transformei. Porque me tornei um homem muito mais feliz a partir desse segundo nascimento.”

Retirado do livro: “Anticâncer”, 2011 – Editora Objetiva, de David Servan-Schreiber [Comprar o livro]

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: